2021 acordou triste, Carlos do Carmo uma voz que parte. Até sempre!

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2021 acordou de luto, faleceu um dos maiores intérpretes do fado e da música popular portuguesa do nosso tempo.

Carlos do Carmo foi um ser humano que aprendi a admirar, não sou fã de fado, mas aprendi a gostar do fado dele.

Tinha 11 anos quando, em 1976, o Carlos (que eu nunca tinha visto, nem ouvido e nem sabia que existia) concorreu sozinho ao Festival da Canção, de nome “Uma Canção para a Europa”, pois a RTP apostou nele para conseguir ter êxito na eurovisão.

Sentei-me no sofá junto com os meus pais, para assistir ao meu primeiro festival, porque, até então, não tinha paciência para ‘aquilo’.

Eu, miúdo irrequieto, consegui ficar sentado a ouvi-lo cantar todas as oito músicas, umas a seguir ás outras, sem intervalo, para mim, criança, era um feito extraordinário alguém conseguir cantar tanto sem se cansar.

Venceu a ‘Flor de Verde Pinho’, para mim as melhores foram ‘No Teu Poema’ e ‘Estrela da Tarde’ mas, claro, foi só porque me soaram melhor porque não entendia nada de música, mas ainda hoje são as minha preferidas.

Em 2019, tive finalmente o privilégio de poder estar num concerto do Carlos do Carmo, o seu último, foi emocionante, fotografa-lo era para mim o expoente máximo, talvez assim como para os católicos fotografar o papa.

Mudou a página do calendário mas infelizmente nada mais mudou, as pessoas queridas e de méritos infinitos se vão, o virus voltou a aparecer depois das 13h, os preços vão aumentar, os que correm atrás do papel higiénico, e são muitos, pensam que de um momento para o outro se fazem milagres e tudo muda, bastando substituir o último algarismo do número.

Entretanto, começamos 2021 como nunca imaginariamos que começasse, para nos fazer pensar que nem tudo são rosas e mesmo essas têm espinhos.

Um forte sentimento de tristeza é o que sinto, uma perda enorme para a cultura portuguesa, para a família, para os portugueses e a somar a tudo isto partiu mais um ilustre sócio-adepto do meu clube (Belenenses).

Até sempre, Senhor Carlos do Carmo.

(…)

No teu poema
Existe a esperança acesa atrás do muro
Existe tudo o mais que ainda escapa
E um verso em branco à espera de futuro

(…)

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