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Cara de Espelho uma lufada de ar fresco na música popular portuguesa

Cara de Espelho uma lufada de ar fresco na música popular portuguesa

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Cara de Espelho a remar contra a corrente musical actual com muita qualidade nos arranjos e na mensagem

Os Cara de Espelho actuaram hoje no Teatro Maria Matos, em Lisboa. Depois da estreia da banda em Braga, no mês passado, coube a vez a Lisboa poder abraça-los.

Com um instrumental riquíssimo e na voz da ex Naifa, os Cara de Espelho tiveram o dom de me fazer viajar a outras épocas, em que sonhávamos com um país diferente do actual, em que a imagem espelhada, de esperança, na nossa mente era límpida, mas em pouco tempo se tornou difusa.

Com Pedro da Silva Martins (Deolinda), Carlos Guerreiro (Gaiteiros de Lisboa), Nuno Prata (Ornatos Violeta), Luís Martins (Deolinda), Sérgio Nascimento (Deolinda) e Maria Antónia Mendes (A Naifa) a banda deliciou todos quantos encheram a sala daquele teatro.

Na apresentação pelo país do seu álbum de estreia ‘Cara de Espelho’, o grupo celebra a liberdade em ano em que se comemoram os 50 anos do 25 de Abril, com canções de intervenção, numa musicalidade e sonoridade que nos remete para o cancioneiro tradicional português.

Maria Antónia Mendes
(Maria Antónia Mendes)

Este estilo de música/letra chamada de intervenção popularizou-se no pós 25 de Abril.

A conquista da liberdade de expressão foi aproveitada por alguns intelectuais para, através da música, criticarem não só o antigo regime, mas também as políticas pós-revolucionarias e o rumo para onde o país estava a ser levado.

Alguns dos nomes mais marcantes desta onda interventiva são sem dúvida Zeca Afonso, Adriano Correia de Oliveira, Sérgio Godinho, José Mário Branco, Vitorino, Fausto, Mário Mata, entre outros, que muito contribuíram para uma visão mais ampla da nossa sociedade, principalmente pelos jovens de então e pelos que tinham esperança numa sociedade melhor.

A banda, Cara de Espelho, remeteu-me, assim, para uma viagem ao passado, com uma linguagem crítica ao momento social que atravessamos, um espírito crítico em tempo de democracia estéril, sem chama, sem futuro, para tempos que me parecem longínquos, mas que passaram tão rápido, e me demonstraram que a música interventiva se mantém actual e precisa de continuar viva.

Cara de Espelho é uma banda que merece ser seguida com toda a atenção, não só pela coragem do projecto musical que estão a abraçar, mas também pela qualidade demonstrada em palco.

No alinhamento: Morte do Artista – Cara Que É Tua – Corridinho Português – Paraíso Fiscal – Fadistão – Genuinamente – D de Denuncia – Roda do Crédito – Dr. Coisinho – Já Vou – Político Antropófago – O Que Esta Gente Quer? – Livres Criaturas (Instrumental) – Testa de Ferro – Varejeiras

Encore: Tratado de Paz – Aldeia Fantasma – Corridinho Português / Cara Que É Tua

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