‘Olhos nos Olhos’ entrevista com, o carismático e eterno líder dos UHF, António Manuel Ribeiro

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FOCUSMSN foi ao encontro de António Manuel Ribeiro, líder histórico da banda UHF, com mais de 40 anos de uma carreira musical de sucesso. Uma conversa amiga, descontraída onde se abordaram temas genéricos e se falou sobre o percurso da banda até 1988.

António, muito obrigado por teres aceite o meu convite para esta conversa aqui no espaço FNAC, é para mim um orgulho e uma honra poder trocar ideias e até satisfazeres-me algumas curiosidades, tu que foste um dos ídolos musicais da minha juventude, e queria começar por perguntar-te:

F: Como te surgiu o gosto pela música e a necessidade de formar uma banda?

AMR: Olha, até aos 12 anos não ligava muito à música, o meu pai cantava por hobby no Orfeão da Academia Almadense, era tenor, mas eu só lá ia por ser meu pai. Naquela altura a música em geral não me despertava atenção, não me entusiasmava. Na rádio passavam cantores como Tony de Matos, António Calvário, Mário Lanza, fado, etc. mas era um tipo de música que não me entrava nos ouvidos, não sentia emoção.

Até que um dia, talvez por volta de 1967, oiço uma canção na rádio que me abre a cabeça, ‘senti algo naquilo‘ e pensei ‘o que é isto, isto é diferente’, era a música ‘Love Me Do’ dos Beatles, uma das canções mais simples que eles gravaram, para quem percebe de música, são apenas 3 acordes, mas que tem uma beleza e força fantásticas e a partir daí comecei a ouvir os Beatles.

Eu que até nem gostava de ‘tipos’ com o cabelo comprido, tinha sempre o meu cortadinho à escovinha, mas depois disto, mudei a minha sensibilidade e perspectiva sobre algumas coisas, acho que comecei a mudar tudo.

Passamos do 8 ao 800, de repente éramos número 1 e a nossa vida mudou 180º, a nossa irreverência foi em cima do palco, 1980 foi marcante, fez-nos acreditar que a banda poderia ser um projecto com futuro (…) Estive uns anos sem lá pôr os pés, aquelas imagens fizeram-me muita confusão, perdeu-se ali uma parte da história e da cultura lisboeta.

F: Que grupos influenciaram a musicalidade dos UHF?

AMR: Vou falar por mim, no princípio dos UHF era uma grande confusão, a formação que gravou os ‘Cavalos de Corrida’ tinha cada um a sua onda, mas falando por mim eu gostava da música anglo-americana, sobretudo da costa leste dos EUA, refiro-me a Doors, Jefferson Airplane, Grateful Dead, The Stooge, que me foram abrindo a cabeça e mostrar novos horizontes musicais.

Lembro que na altura havia dois programas muito importantes na rádio que eram o ‘Em Órbitra’ e o ‘Dois Pontos’, onde se ouviam discos inteiros e novidades, isso ajudou-me, nessa fase, a evoluir musicalmente. Paralelamente gostava também da folk e rock britânico nomeadamente Fairport Convention, Bob Dylan, Rolling Stones e Led Zeppelin; Led Zeppelin então…. era uma coisa fantástica.

F: Foste ganhando maturidade…

AMR: Exactamente, mas também com os estudos começo a interessar-me por literatura e a tendência da palavra, a partir daí começo a ouvir de maneira diferente, a avaliar o que se faz por cá, e descubro letras musicadas por grandes poetas que escreviam para a música ligeira, como é o caso de José Carlos Ary dos Santos, que escreveu canções para diversos artistas. Oiço Zeca Afonso, descubro a canção Vampiros, que na altura ainda não passava muito na rádio, talvez devido à censura, e começo também a gostar das músicas de intervenção de Sérgio Godinho e José Mário Branco.

Mas o quarteto 1111, liderado pelo José Cid, foi muito importante para mim porque faziam pop/rock em português. Com todas estas descobertas, estes novos horizontes musicais e mais maturidade, começou a nascer em mim um fio condutor para aquilo que eu gostaria de seguir em termos de sonoridade musical.

F: O que representou para ti os anos 80, anos de juventude irreverente, em termos musicais e pessoais?

AMR: Foi um chuto para a frente (risos), de repente veio uma catapulta que nos lançou para o espaço. Eu costumo dizer que passamos do 8 ao 800 sem passar pelo 80. Em 1979 lançamos o primeiro disco ‘O Jorge Morreu’, um EP, e ninguém soube, não havia divulgação, em 1980 gravamos os ‘Cavalos de Corrida’, faz agora 40 anos, e de repente éramos número 1 no país, com tudo o que isso envolve.

F: Mudou a vossa vida…

AMR: Totalmente, mudou-a a 180º, espectáculos, royalties, direitos de autor, independência financeira, muita estrada, muitos fãs, semanas fora de casa, eram tantas as solicitações…, nem tivemos tempo para perceber o que se passava à nossa volta.

Houve uma transformação completa nas nossas vidas, sem tempo para a família, concertos de norte a sul, na época eu já era casado e com 2 filhos, foi uma loucura total.

Eu digo isso num livro que eu escrevi sobre situações da minha vida profissional que se chama ‘Por trás do pano’, foram crónicas que escrevi para a Antena 1 mas que desenvolvi no livro, com mais densidade, com histórias mais compridas, em rádio temos o tempo limitado, mas só para teres uma ideia, em Setembro de 1981 chegamos a dar 28 concertos em 24 dias e em 1982 demos 136 espectáculos em 365 dias, de modo que não tínhamos tempo para ser irreverentes. A nossa irreverência foi passada em cima do palco.

Os anos 80 foram marcantes, não pela irreverência, mas por pensarmos que o UHF poderia ser um projecto de longevidade e de sucesso. Essa longevidade está documentada nos 1798 concertos que já efectuamos, o 1800 estava marcado para Paris mas devido à pandemia foi adiado.

Em 1981 é editado o single Rua do Carmo, música incluída no LP ‘À Flor da Pele’, que foi o teu segundo sucesso comercial, que ajudou a cimentar a vossa posição de liderança e a fidelizar os fãs.

F: O que sentes quando vês o videoclipe promocional da música, que nasceu para ser de promoção comercial mas acabou por ser também um trabalho documental e que memorias isso te traz?

AMR: Vou contar-te uma história que me aconteceu em 1988, estava em casa da minha namorada a dormir, tinha vindo de um concerto na noite anterior, ela acorda-me e diz, a ‘tua rua está a arder’ e eu pensei, ‘o quê?!

Lembro-me como se fosse hoje, levantei-me, ligo a TV e vejo o Mário Crespo, na rua do Carmo, de microfone na mão, todo molhado, a tentar fazer um directo, com os bombeiros logo atrás, com mangueiras e fumo por todo o lado, nessa altura caí em mim e constatei a gravidade da situação.

F: Foi desapontante…

AMR: Foi, estive mais de dois anos sem lá pôr os pés (na rua do Carmo), aquelas imagens fizeram-me muita confusão, e ver tanto património destruído, nomeadamente o edifício da Valentim de Carvalho em que tudo desapareceu…

Um tempo depois a C. M. Lisboa liga-me, do departamento de arquitectura, para dizer que estão a trabalhar na recuperação da rua do Carmo e que gostavam de ter acesso ao vídeo pois é o único registo recente, existente daquela rua, limitei-me a informa-los que o vídeo estava na posse da RTP.

De um dia para o outro o videoclipe tornou-se não só num trabalho de divulgação e animação musical mas também numa obra documental. Hoje a rua do Carmo está reconstruída, tudo muito limpinho e direitinho, ‘Clean and Safe’ mas não é a mesma coisa, uma parte da história de Lisboa e da cultura morreu em 1988.

Variações era um homem introspectivo, solitário, muito diferente do lado exuberante e excêntrico em palco (…) Em 1981/82, dividíamos o país ao meio, metade UHF e outra metade TÁXI. Quando nos juntávamos em palco quase que havia castanhada…

Mudando um pouco o rumo da nossa conversa…

F: Sei que tiveste uma relação profissional próxima e de amizade com António Variações, o que recordas e o que queres contar em relação a um músico que deixou marca na música pop e que ainda hoje é recordado?

AMR: Bom, eu não era aquilo a que se pode chamar um grande amigo do António Variações, adiante perceberás porquê.

Tínhamos sim um excelente relacionamento profissional, até porque tínhamos a mesma editora (Valentim de Carvalho), e na época ele estava a lançar um maxi-single, ‘Povo que Lavas no Rio/Estou Alem’ (1982), que era aliás o seu primeiro disco.

As pessoas conhecem o Variações pela pessoa excêntrica em cima do palco, exuberante nas roupas e gestual nas suas interpretações musicais mas fora dele era completamente diferente. Era um homem reservado, quase sempre solitário, lembro-me das vezes que ia ao Frágil com a minha namorada e sempre que ele lá estava ia ter com ele, sentado a um canto, quase escondido, sozinho, tentando passar despercebido.

Bebíamos um copo, conversávamos, era um homem cheio de talento e culto mas era decididamente um homem introspectivo e solitário, às vezes um homem abandonado, vivia no seu mundo. Ele era de Amares, veio para Lisboa, e a Lisboa dos anos 80 era muito diferente daquela que vemos hoje, digamos que ele era um homem, em termos visuais, muito à frente da sua época.

Tenho uma história curiosa para contar, nós (UHF) íamos tocar na antiga Feira Popular, num espectáculo que havia todas as quintas-feiras e que eram transmitidos pela Rádio Renascença, é curioso que o Rui Pêgo, hoje director da Antena 1, ainda tem essa gravação, e o Variações foi fazer a abertura do concerto, em playback, sem apoio de banda, para apresentação do seu maxi-single.

Nessa noite, o António foi excentricamente vestido de toureiro e estavam uns rufias na frente de palco, que começaram a lançar gravilha enquanto ele cantava. Além de ter que estar a desviar-se dos objectos arremessados ainda tinha que estar a acertar os movimentos vocais com o playback. Eu estava de lado e aquilo irritou-me profundamente.

Quando entro em palco, não me importei que o concerto estivesse a ser gravado para a rádio, desabafei, disse o que pensava sobre o respeito que se deve ter pelos artistas e critiquei fortemente o público, acho que até os insultei e quando pensava que ia ser atingido por um monte de gravilha, o público reagiu batendo palmas. Foi assim a primeira actuação pública do António que viria tornar-se, apesar da curta carreira, num marco na história da música pop em Portugal.

F: Aproveitando este momento de recordações, queria que me dissesses qual o vosso relacionamento na época com a banda TAXI, que juntamente com os UHF lutavam pela liderança nos Tops nacionais?

AMR: Na época havia uma enorme rivalidade, hoje há uma grande amizade. Essa rivalidade era muito boa porque foi muito explorada pelas editoras, não vou dizer que éramos marionetes, mas éramos fruto de uma guerra de tops e de vendas. Era uma espécie de guerra Beatles vs Rolling Stones na música ou um Benfica vs Porto no futebol.

Eu costumo dizer com uma certa ironia que em 1981/82, dividíamos o país ao meio, metade UHF e outra metade TAXI. Quando nos juntávamos em palco quase que havia castanhada mas nunca houve, mas era complicado (risos).

F: E com Rui Veloso…

AMR: Com o Rui Veloso, nunca houve rivalidade, é um cantor extraordinário, na altura editou ‘Ar de Rock’, lançou o single ‘Um Café e Um Bagaço’ mas depois disso, ele teve que parar para ser operado ás cordas vocais. De maneira que por uns anos dividimos com os TAXI a hegemonia do rock português.

Naquela editora entendiam que vender música era mais ou menos como vender batatas, fruto do reflexo de naquela época aparecerem grupos novos todos dias, apareciam a 100 e desapareciam a 200 (…) Concordo com a tua leitura, ‘Ares e Bares de Fronteira’ marca o final de uma fase dos UHF (…) quando regressamos em 1988, com o álbum de originais ‘Noites Negras de Azul’, já sou o único membro original da banda.

Trago aqui comigo o mini-LP ‘Ares e Bares de Fronteira’ de 1983 (vais-mo autografar sff), sinto nele uma certa melancolia, incerteza quanto à evolução política do país, se calhar alguma desilusão daquilo que pensavas virem a ser os tempos de liberdade/democracia e terminas com uma dedicatória a Ian Curtis. É um álbum marcante, não só pelo conteúdo lírico e musical mas também porque assinala, praticamente, a saída de Carlos Peres da banda.

F: Fala-me deste álbum, do seu conteúdo e de como te sentias psicologicamente na altura?

AMR: Acho que é a primeira vez que percebemos que no mundo da música…, aliás no primeiro disco que gravei, tenho uma canção dedicada ao mundo da música e àquela ‘entourage’, que acontece na noite lisboeta, em que tu tens que te dar com as pessoas certas nos sítios certos e pagar uns copos as pessoas certas nos locais certos.

Em 1983 eu percebi uma coisa, é que quando deixámos a Valentim de Carvalho, saímos contra a vontade deles, fizemos uma birra enorme e estúpida, mas éramos jovens, vamos para a Rádio Triunfo e lançamos o álbum ‘Persona Non Grata’. Neste segundo disco ‘Ares e Bares de Fronteira’ começo a perceber que naquela editora, devia haver montes de negócios mas nenhum deles tinha a ver com a música arte, percebi que tínhamos dado passos atrás.

Na Triunfo, entendiam que vender música era mais ou menos como vender batatas ou quilos de açúcar, fruto do reflexo de naquela época aparecerem grupos novos todos dias, apareciam a 100 e desapareciam a 200, era apenas negócio e pouco tinha a ver com cultura/arte.

F: Sentiste saudades dos tempos na Valentim de Carvalho…

AMR: A Valentim de Carvalho sempre foi uma editora que protegia os seus artistas, às vezes até demais, uma espécie de mecenato à maneira da renascença italiana, como se fosse uma família. Quando saímos da Valentim ficamos sem essa protecção e se conseguimos sobreviver foi porque tínhamos valor o que acabou por ser uma prova de sobrevivência. Por isso, o conteúdo do álbum, revela de certa forma uma força interior de sobrevivência, de revolta, de dedicatórias e de recordações.

F: A seguir a este álbum há um hiato discográfico de 5 anos para voltarmos a ouvir um trabalho de originais. Achas que ‘Ares e Bares de Fronteira’, assinala o final de uma era, o fim dos UHF parte 1?

AMR: Sim, concordo com a tua leitura, ‘Ares e Bares de Fronteira’ marca o final de uma fase dos UHF, a partir deste álbum houve alterações na formação e quando regressamos em 1988, com o álbum de inéditos ‘Noites Negras de Azul’, já sou o único membro original da banda. Este disco, ‘Ares e Bares de Fronteira’, já reflete maturidade.

Em 1984 ainda é editado o single ‘Puseste o Diabo em Mim’ e em 1985 é gravado o primeiro disco ao vivo do rock português ‘No Jogo da noite – ao vivo em Almada’, este disco foi gravado porque eu queria sair daquela editora o mais rapidamente possível, estava farto deles e não lhes queria dar mais músicas originais.

(…) a dado momento comecei a sentir que o barco já não estava no rumo certo, balouçava para um lado e para o outro (…) as exigências da editora eram muitas (…) os meus colegas não entendiam o que era estar numa grande editora. (…) começo a reparar que os tempos estavam a mudar, aqueles que tinham ajudado a alavancar o rock português estavam nesta altura a tentar matá-lo.

F: Houve uma altura durante o ano de 1984, em que saíste temporariamente da banda descontente com o ambiente no seu seio, achas que foi resultado de stress acumulado por exigências da editora em manter a banda no Top?

AMR: Na altura o Zé Carvalho (baterista) teve um acidente de viação grave e ficou cerca de 5 meses de cama, quando regressou ressentiu-se do problema na perna e eu tive que procurar um baterista para o substituir. Uns tempos atrás tinha tocado com um grupo chamado Casino Twist e achei o baixista (Fernando Deleare) muito interessante e fui falar com ele para vir para os UHF, na conversa indicou-me o Manuel Mergulhão (baterista) que tinha tocado no Go Graal Blues Band.

Eu sempre gostei muito do Fernando Deleare como baixista e até mesmo como compositor era muito interessante, fizemos canções os dois muito boas, mas o Fernando nunca tinha estado numa editora grande e não sabia o que era ter pressão à volta, a dado momento, comecei a sentir que o barco tinha entrado numa grande tempestade, já não estava no rumo certo, balouçava para um lado e para o outro. Senti que estava a perder o controlo da banda, as exigências da editora eram muitas e eu não conseguia atingir os resultados que queria e um dia disse, ‘vou-me embora, não me apetece mais’. De maneira que durante cerca de duas semanas estive fora do grupo. Durante esse tempo, ele diz que não (risos), mas o Peres foi chamado para cantar.

F: Depois regressaste…

AMR: Regressei mas já não era a mesma coisa, por volta de 1985 sentia que não ia ter futuro com aquela formação, exceptuando o Renato Gomes que era o melhor guitarrista do seu tempo e bom compositor, com quem me entendia muito bem.

Ao mesmo tempo começo a reparar que os tempos estavam a mudar, aqueles que tinham ajudado a alavancar o rock português estavam, nesta altura, a tentar matá-lo, com o semanário Se7e à cabeça. Pensavam que faziam artistas e matavam artistas, é um facto que divulgaram bandas que morreram logo a seguir, mas aqueles artistas que tinham raízes, esses não conseguiram matar. Por isso é que se os UHF ainda existem, é graças ao apoio que sempre tivemos do público.

F: O tempo era outro….

AMR: Era, estava a mudar, até a catalogação das músicas era outra, a música de intervenção passou, naquele período, a chamar-se Música Popular Portuguesa (MPP), por influência da MPB, brasileira, houve uma mistura de conceitos, pretendia-se ‘matar’ músicos consagrados para serem substutuídos por novos cantores, era a esta a visão comercial de alguns sujeitos, de algumas editoras.

F: O que recordas dessa época?

AMR: Recordo o aparecimento dos ‘opinion makers’ absolutos, eles é que sabiam, estou a lembrar-me do Miguel Esteves Cardoso, que era ligado a uma editora, usava aquele semanário (se7e) para escrever umas patacoadas, valorizando uns e denegrindo outros, estando inclusive na origem da Fundação Atlântica, uma fundação ligada à Valentim de Carvalho, em que a maioria das coisas que gravaram revelaram-se flops, as excepções foram os Sétima Legião e o António Variações que foram das coisas realmente muito boas que apareceram mas não evitaram a decadência financeira da Valentim de Carvalho.

Tudo isto provocou muita instabilidade no seio do grupo, vermos no jornal frequentemente o nome UHF no obituário, em nada ajudou. Os tempos estavam a mudar era preciso ser-se mais profissional e organizado.

(…) com a saída do Renato Gomes, tive que arranjar alento para não deixar morrer o projecto UHF e tudo o que de bom tínhamos feito (…) ‘Noites Negras de Azul’ é um disco muito bonito mas muito sofrido (…) é o momento em que me sinto mais eu, com o Renato Gomes não me precisava de preocupar com certas coisas, era um grande guitarrista (…) em vez de ter receio, dei o passo em frente e assumi as minhas responsabilidades.

F: Em 1986 sai o último integrante da formação original, Renato Gomes, nessa altura sentiste que os UHF estavam a chegar ao fim da linha ou pelo contrário isso te deu alento para seres mais criativo e teres mais liberdade a nível musical?

AMR: Não sei se foi coincidência a saída do Renato com o sucesso que viria a ter o álbum ‘Noites Negras de Azul’ em 1988, sei que com a saída do Renato Gomes, tive que arranjar alento para não deixar morrer o projecto UHF e tudo o que de bom tínhamos feito. Fiquei com mais responsabilidades, formei o UHF com elementos novos, mas com aquela ambição de querer fazer mais e melhor. Foi com muita pena minha que ele saiu.

F: Fala-me das ‘Noites Negras de Azul’….

AMR: O álbum ‘Noites Negras de Azul’ é um disco muito bonito mas muito sofrido, foi o meu primeiro disco em autoprodução, levei muito tempo para o gravar, não gravava todos os dias, gravava consoante o tempo que tinha disponível, eram necessários ensaios e nem sempre tínhamos tempo por causa das digressões, e quando tinha uns intervalos nas digressões aproveitava para evoluir na produção de estúdio.

É o momento em que me sinto mais eu, com o Renato Gomes não me precisava de preocupar com certas coisas, era um grande guitarrista, tocava sempre bem, a partir daí começo a dedicar-me mais a guitarra e a tocar outros instrumentos. Foi o momento em que em vez de ficar com medo, dei o passo em frente e assumi as minhas responsabilidades.

‘Noites Negras de Azul’ é segundo opinião dos fãs, a segunda Bíblia dos UHF depois do álbum ‘À Flor da Pele’, uma banda completamente renovada (…) nasceu uma nova versão dos UHF (…) do experimentalismo, à maturidade do ‘Noites Negras de Azul’.

Em 1988, lanças finalmente um álbum de originais ‘Noites Negras de Azul’, de onde é retirado o single de grande sucesso ‘Na Tua Cama’, apresentado ao vivo no estádio da Luz perante 120 mil pessoas, uma inovação na época, e que trazem de volta os UHF à liderança dos Tops nacionais.

F: Sentiste que foi este disco que te relançou a carreira, são os UHF parte 2?

AMR: É o disco mais celebrado que nós temos desde a saída da Valentim de Carvalho, lembro que o ‘Persona Non Grata’, o primeiro disco editado para a Rádio Triunfo, em Novembro de 1982, foi um disco brutal, muito bom e muito celebrado pelos fãs.

O ‘Noites Negras de Azul’ há quem diga, não é a minha classificação, que é a segunda Bíblia dos UHF depois do álbum ‘À Flor da Pele’, com uma banda completamente renovada e focada em objectivos comuns, diria que sim, nasceu uma nova versão dos UHF.

F: ‘Na Tua Cama’ ajudou a renascer os UHF?

AMR: Não foi bem um renascer mas sim uma mudança de rumo, foi como se passássemos de um continente para outro. Sabes, no início havia muito experimentalismo, no álbum ‘À Flor da Pele’, havia ainda muitas coisas a descobrir e a aprender.

Recordo o Hugo Ribeiro, que já não está entre nós, que foi o técnico de som dos ‘Cavalos de Corrida’ e do ‘À Flor da Pele’, que trabalhou com a Amália Rodrigues e que muito me ensinou. Nós íamos para o estúdio e via todos aqueles instrumentos à disposição e perguntava, ‘Sr. Hugo posso mexer aqui no teclado?‘, e ele responder ‘O menino António pode mexer no que quiser’, eram outros tempos. Deram-me o estúdio dois meses e meio para gravar, meu Deus, fiz tudo o que me apeteceu, foi lá que aprendi a tocar teclas.

Nas ‘Noites Negras de Azul’ já é completamente diferente, já era produtor, já tinha outra maturidade, outra visão das coisas. Algumas canções do álbum já tocavam na estrada de modo que quando ia para estúdio já tinha uma visão do que ia resultar naquelas músicas. Fiz o disco com o guitarrista, depois fui convidando alguns músicos, entre eles o Fernando Deleare, que tocou baixo em dois temas, e assim foi nascendo o álbum.

(…) António Rolo Duarte telefona-me e diz eh pá, temos uma bronca! (…) ‘os homens em Portugal fazem-se na tropa, não se fazem na cama’ (…) tivemos que inverter o alinhamento das canções.

F: Porque colocaste como música de abertura do álbum a canção ‘Nove Anos’, dedicada a Zeca Afonso, e ‘Na tua Cama’, o teu grande sucesso, a abrir o lado B?

AMR: Olha, quando fomos apresentar a cassete à produtora Edisom, o António Rolo Duarte assim que ouviu os primeiros acordes da canção ‘Na Tua Cama’, disse logo ‘quero isto, quero gravar isto‘. Aliás o David Ferreira, na Valentim, e o Rolo Duarte, na Edisom, eram pessoas com uma visão fora do comum.

Entretanto a música chega a primeiro lugar no top semanal da rádio e começam a aperceber-se da letra da canção. Às tantas alguém da RFM liga para editora e diz, ‘temos aqui um problema’, é que a canção tem aqui uma frase que não pode passar e ninguém tinha reparado, ‘na tua cama fui de rapaz até homem’. Foi ridículo, mas em 1988 ainda havia censura nas rádios, 14 anos depois de 1974.

Recebo um telefonema do Rolo Duarte que me diz, ‘António temos uma bronca!’, escreveste que, ‘na cama foste de rapaz até homem e não podias’, e acrescentou ‘os homens em Portugal fazem-se na tropa, não se fazem na cama’, disse ele cheio de piada. Eu fiquei a pensar naquilo e perguntei, ‘então e agora?‘, e ele respondeu, ‘vamos passar a música para o lado B e a ‘Nove Anos’ para o lado A, fazemos uma troca no alinhamento previsto’.

Na altura estávamos já a gravar um videoclipe promocional para a canção ‘Na Tua Cama’ e de repente pára tudo, já não há video para ninguém, vamos fazer um para a música ‘Nove Anos’. Foi muito engraçado, foi um reboliço total, foi tudo em cima do joelho, fomos para a nossa sala de ensaios, de um dia para outro tivemos que criar uma história e filmar um clipe para a RTP. (risos)

Não sou saudosista, magoei-me muitas vezes é um facto e tomei algumas decisões nos UHF que foram erradas (…) passei por momentos complicados (…) Encontramo-nos frequentemente, sobretudo com o Renato e o Peres (…) sinto, que se eles pudessem, neste momento, voltavam atrás e tinham ficado na banda.

F: Fala-me de Íntimo (regresso do Inferno), sinto aqui emoções, revoltas e desabafos.

AMR: Foi uma história de amor que tinha chegado ao fim, acho que na altura sofria muito, senti que fiquei sem chão, parece que vamos cair num buraco, que perdemos algum amparo, de modo que Íntimo reflecte isso, foi um regresso do Inferno.

Ao longo dos 42 anos de UHF é natural, numa banda com tanta longevidade, haver entradas e saídas de membros por diversas razões.

F: Hoje és o único membro fundador da banda, olhando para trás, voltarias a fazer as coisas da mesma forma ou farias algumas de forma diferente?

AMR: Não sou nada saudosista, magoei-me muitas vezes é um facto e tomei algumas decisões nos UHF que foram erradas. Por causa disso, a partir do meio dos anos 80, tive dois anos sem gravar, passei por momentos complicados, tive colegas viciados em droga, com digressões para cumprir, tive que despedir músicos e ir buscar outros, e foi muito complicado porque nem sempre fiz as melhores escolhas. Mas faz parte do nosso percurso, aprender com os erros ajuda-nos a crescer.

Aliás, o ano passado estiveram em Almada, no museu da cidade, organizadas pela Câmara Municipal, duas exposições, uma sobre o rock almadense desde os anos 50, onde nós estávamos representados e outra, mais tarde, apenas sobre os UHF. Uma exposição fantástica baseada no nosso arquivo documental que conta a história do nosso percurso de vida.

Canal Maldito, por nunca ter feito parte do sistema (…) Locomotiva de Almada, porque sempre levei a vida com frontalidade (…) Quando a expressão colocar ‘terra no palco’ foi levada a letra na Amadora.

F: Ainda te encontras com os teus colegas da formação inicial da banda?

AMR: Encontramo-nos frequentemente, sobretudo com o Renato e o Peres pois vivemos na mesma cidade. E aquando da exposição encontrámo-nos algumas vezes e eu sinto, é apenas uma interpretação minha, que naturalmente poderá não ser assim, que se eles pudessem, neste momento, voltavam atrás e tinham ficado na banda.

F: Porque sentes isso…

AMR: Na altura o único que era casado era eu, com dois filhos, a música ocupava muito do meu tempo, alterações constantes de rotinas, era tudo a somar, e acabei por me divorciar em 1982. Passei a morar sozinho, enquanto eles viviam com os pais e a pressão familiar sobre eles era muito grande. A música era vista como um hobby e não como uma profissão, os pais queriam que eles tirassem um curso e arranjassem um trabalho a sério.

E isto é tão verdade e uma maneira conservadora das pessoas pensarem que ainda há pouco tempo encontrei um ex-colega de escola, que a dada altura me pergunta, além da música fazes o quê? Respondi simplesmente, sou músico. Este pensamento influenciou e limitou-os nas escolhas, penso que se fosse hoje, eles não tinham saído e continuaríamos juntos.

F: Hoje sentes-te a Locomotiva de Almada, o Canal Maldito ou um músico que 42 anos depois se orgulha do seu legado musical e das portas que abriu a outras bandas?

AMR: Gosto da expressão Canal Maldito, que foi dita por um jornalista brasileiro, muito nosso amigo, infelizmente já falecido, o Luís António Vita, quando demos uma entrevista ao jornal Rock Week, percursor do Blitz, ainda antes dos ‘Cavalos de Corrida’, e na capa aparece, ‘UHF, o Canal Maldito’.

Sabes, eu senti-me sempre maldito, não gosto de ser do sistema, do politicamente correcto, as pessoas não se assumem, gostam de andar ao sabor das marés. Depois há colegas que aparecem mais tarde, que tem alguma notoriedade e que fazem discursos como se o mundo tivesse começado com eles, ontem às cinco da tarde. Nem se lembram que a pólvora foi descoberta há muitos anos na China. É assim que eu sou, politicamente incorrecto, muito terra-a-terra.

Ser a Locomotiva de Almada também gosto, eu faço e avalio as situações, sempre contornei as dificuldades, nenhum obstáculo me fez parar, sempre fui empreendedor, nunca estive dependente de subsídios do estado, de modo que levei sempre a minha vida com frontalidade e sobre carris.

Quanto às portas que eventualmente abri, podem ter sido algumas mas não considero isso um orgulho, é o resultado de um percurso de 42 anos de sucesso. Não ligo nem penso muito nisso.

Não tínhamos dinheiro para ter duas guitarras, eu tinha uma e dei ao Peres porque ele tocava melhor que eu (…) tocar com Dr. Feelgood e com Ramones provocou-me tanto nervoso e medo de falhar que fui para o palco a pão-e-água….

F: Mas achas que muita coisa evoluiu graças a vossa influência e exigência musical…

AMR: Sim, muita coisa evoluiu connosco e não só, lembro-me de uma vez na Amadora, irmos fazer um concerto para uma organização política, que nos contratou para animar a malta e do nosso técnico nos vir informar que puseram terra no palco.

Era uma situação muito usada na altura, que era a ligação à terra através de um varão de cobre de descarga para evitar que apanhássemos algum choque durante a actuação. Nós já estávamos em palco para iniciarmos o espectáculo e aparece um senhor que vinha numa Ford Transit de caixa aberta, carregada de terra, e nos pergunta onde queríamos que ele a despejasse. (risos)

Este exemplo serve apenas para a malta nova que pensa que inventou o mundo, que para as coisas chegarem ao que chegaram e com certeza irão ainda chegar mais além, houve bandas como a nossa que actuavam em condições pré-históricas para conseguir levar a música aos fãs.

F: Mas houve bandas que também vos ajudaram a abrir portas…

AMR: Claro que sim, para nós foi muito importante as primeiras partes que fizemos de grandes bandas internacionais, em 1979/80, ainda nem éramos conhecidos, estou a lembrar-me dos Telephone (franceses), Dr. Feelgood, Uriah Heep, Ramones, etc, aprendemos muito com eles, na maneira de trabalhar, como montar um palco, em suma, vimos como se faziam as coisas, foi a nossa faculdade.

Foram tempos muito bons de aprendizagem, que nos ajudaram a abrir algumas portas e a crescer como músicos, naquela altura eu era só vocalista, não tínhamos dinheiro para ter duas guitarras e então dei a minha guitarra ao Peres porque ele tocava melhor que eu. (risos)

Na época os Dr. Feelgood e Ramones eram os expoentes máximos da música internacional, e nós, sem sermos conhecidos, ir tocar a primeira parte dos concertos destes monstros da música, a primeira vez que subi ao palco senti medo, nem consegui comer, fui para o palco apenas a pão-e-água.

Para além dos grupos acima citados os UHF já acturam até hoje com os Skids, Elvis Costello, Mission, Tourists, Original Mirrors, 999, UFO, Dexy’s Midnight Runners, Bryan Adams, Joe Cocker, Simple Minds, Billy Idol, Bon Jovi, Bonnie Tyler, Saxon, Deep Purple, entre outros.

(…) o meu filho que é o guitarrista contraiu uma hérnia discal, estamos a espera que ele recupere para retomarmos os ensaios e tentar ter o disco pronto em Outubro (…) entretanto tenho feito uns ‘lives’ no Instagram e Facebook oficial dos UHF, aos sábados…

F: Sei que estás a preparar um álbum de inéditos, para quando?

AMR: Era para ter saído em Junho mas devido à situação pandémica tivemos que suspender as gravações, mais precisamente no dia oito de Março. Entretanto o meu filho, António Côrte-Real, que é o guitarrista, contraiu uma hérnia discal, tem estado em recuperação, a coisa está complicada, talvez se resolva com fisioterapia, enquanto isso estamos a espera que ele recupere para retomarmos os ensaios e tentar ter o disco pronto em Outubro.

Tenho feito uns ‘lives’ no Instagram e Facebook oficial dos UHF, desde vinte e um de Março, aos sábados, só comigo e o baterista, e as pessoas têm aderido, gostado e apreciado o facto de não nos esquecermos delas, há pessoas que se sentem isoladas e estas iniciativas são óptimas para levar uma lufada de ar fresco e conforto a alguns lares.

Nas últimas três ‘lives’ que fizemos o meu filho participou mas foi com muito esforço, não consegue ter posição para estar e só atenua as dores à base de analgésicos. Vamos ver o que o futuro próximo nos reserva.

Em termos financeiros tínhamos um ano já muito bem organizado (…) apagamos o ano de 2020 e passamos os concertos para 2021 (…) Desculpem lá, isto é estúpido, estamos a levar a nossa cultura por caminhos muito perigosos.

Estamos a atravessar uma fase de pânico generalizado devido a uma pandemia que tem sido o mote para o adiamento de muitos espectáculos, trazendo atrás de si muitos problemas de subsistência, em alguns casos bem piores que a própria doença.

F: Como estás a gerir a situação e de que forma isso te tem prejudicado?

AMR: Em termos financeiros tínhamos um ano já muito bem organizado e que parou. Dezanove espectáculos passaram para o ano que vem, apagamos o ano de 2020, os apoios do estado a uma empresa do género da nossa, são nenhuns. Eu como sócio-gerente nem sequer direito tenho a pedir lay-off porque a minha empresa facturou o ano passado acima do tecto máximo para ser elegível para aceder a subsídios.

Continuo a pagar os meus impostos, não pedi nenhuma moratória, mas o factor psicológico está a colidir com isto tudo e os fãs ressentem-se disso, aliás está espelhado nas redes sociais; O trabalho é o sangue da nossa vida.

Já fiz vários alertas à ministra da cultura, porque há casos graves mas quando já deviam estar a actuar ainda andam a discutir projectos de financiamento nesta altura. A cooperativa GDA da qual faço parte tem ajudado como pode alguns casos, com cartões de consumo que eram válidos por três meses mas já o tivemos que prolongar.

Há muita gente que trabalha à volta de uma banda e que está a ser prejudicada por esta situação. Os UHF, uma banda de cinco elementos, cada vez que dá um concerto mobiliza cerca de 40 pessoas, só para teres uma ideia. Em Maio falava-se em cerca de 26 mil concertos cancelados mas são mais de 40 mil, o que deixa bem visível, as dificuldades que algumas pessoas estarão a passar.

F: Mudando de assunto, sei que és contra o acordo ortográfico em vigor porque és tão crítico desse acordo?

AMR: Eu estudei literatura, nós temos uma língua mãe que é o latim, portanto a construção da nossa língua deriva de um étimo, e o étimo é o berço da língua, e tem regras.

Acho piada que nós tirámos o ‘p’ e o ‘c’ de algumas palavras assim como diversas acentuações por ex. pára e para passou a ser escrito da mesma forma, ‘ele para para atravessar a rua’, assim como facto passou a ser fato, ‘é de fato um fato’. Desculpem lá, isto é estúpido. O interesse das editoras está acima daquilo que é a salvaguarda da língua. Estamos a levar a nossa cultura por caminhos muito perigosos.

Não gostei nada da forma como Bruno Lage foi tratado naqueles últimos dias no Benfica (…) o Benfica como clube referência deve ter cuidado como trata os seus profissionais (…) admito que as pessoas possam corrigir os seus erros (…) Os UHF quando estão junto dos imigrantes estão sempre bem (…) cada concerto é uma festa…

F: Como Benfiquista como vês a situação actual do clube e o regresso de Jorge Jesus?

AMR: Não gostei nada da forma como Bruno Lage foi tratado naqueles últimos dias no Benfica, o Benfica é um clube muito grande, não é um clube de bairro, não vou dizer que o Bruno tivesse que ficar, mas a forma como foi empurrado, mancha a imagem do clube e da direcção.

Havia dívidas de gratidão, o Lage conseguiu vencer um campeonato que era dado como perdido e potenciou um jogador que acabou por ser vendido por 126 milhões, o Benfica como clube referência deve ter cuidado como trata os seus profissionais e na imagem que passa quer em Portugal quer no estrangeiro.

Em relação a Jorge Jesus é claro que quero que tenha o maior sucesso no clube mas não foi bonita a forma como na altura andaram a tratar-se na imprensa mas admito que as pessoas possam corrigir os seus erros.

F: Esta entrevista vai ser republicada num importante órgão de informação, direcionado à comunidade imigrante, o ‘Lusitano de Zurique’, e eu perguntava-te se queres deixar alguma mensagem aos fãs que viram os teus concertos adiados?

AMR: Espero que nos possamos encontrar em breve, cada vez que fazemos um concerto nas comunidades é uma festa grande, as pessoas muitas vezes aqui não percebem o quanto é importante levarmos um bocado da nossa língua e da nossa história, é como se fossemos embaixadores do país.

Até mesmo nas festas ligadas ao Benfica, onde toco muito, há ali um bocadinho de Portugal que renasce naquele dia, não há rivalidades clubísticas, vêem-se pessoas com camisolas de outros clubes, não existe rivalidade, há sim portugalidade.

Não é fácil estar longe do país, muitas vezes em sociedades fechadas limitadas pela língua, a viver para trabalhar, para ganhar a sua parte e vir-se embora o mais depressa que podem. Os UHF quando estão junto dos imigrantes estão sempre bem, estamos juntos há muitos anos e contamos muito em breve estarmos juntos de novo.

Obrigado António por me teres recebido. Grande abraço e felicidades.

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