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A banda portuense TAXI deu show no Casino Estoril

A banda portuense TAXI deu show no Casino Estoril

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Um TAXI conduzido por João Grande e Rui Taborda passou pelo Casino Estoril e levou-nos a outra dimensão

A banda portuense TAXI, um nome que diz muito aos amantes da música rock cantada em português, e que nos traz boas memórias de quando éramos jovens irreverentes, conquistou o público que encheu o salão preto e prata, do Casino Estoril.

Com um dinamismo ‘louco’, João Grande, o eterno e mítico vocalista da banda, percorreu o palco de ponta-a-ponta, vezes sem fim, mostrou que, com quase 70 anos, está aí para durar e mostrar às jovens bandas e às antigas também, como se consegue colocar uma sala a vibrar, a pular, e a cantar a uma só voz.

O João é a energia que já vai faltando às bandas que abraçaram este genero musical, o rock passou de moda, as rádios aderiram a outros géneros musicais, estão ao serviço não da cultura musical e dos gostos musicais dos ouvintes, mas sim, das promotoras que pagam para passarem as músicas dos cantores que lhes interessam, maioria são cantores e músicas sem qualidade, e música que não é passada não é ouvida, e música passada até à exaustão, às tantas somos ‘obrigados’ a gostar e a aderir. E assim se lava o cérebro da juventude.

Cantando a maioria dos êxitos do passado, os TAXI, que além do vocalista tem ainda na banda outro membro fundador, o baixista Rui Taborda, um predestinado na arte de dedilhar a guitarra baixo, são eles o pulmão, o coração e a alma da banda, e que conduzem este TAXI há cerca de 45 anos.

Falando do estrondoso concerto de ontem, os TAXI, uma vez mais, e eu já assisti a muitos ultimamente, superaram-se e superaram as expectativas dos fãs da minha idade, mas principalmente da juventude presente na sala.

A entrada da banda fez-se normalmente, com cada um a ocupar o seu lugar no palco, já soavam as tarolas e as guitarras, quando a dado momento entrou o vocalista a correr, pegou no microfone e… deitou a sala ‘abaixo’. Quando a sua voz ecoou pelo salão, o público sentiu logo aí que este concerto, numa noite fria, ia faze-los sair dali a suar.

Ponto de passagem para uma cidade que, históricamente, há muito deixou de ter a importância política de outrora, ‘isto é o Cairo..’ foi o mote para o primeiro salto do vocalista, dos inúmeros que deu em quase duas horas de concerto, foi o perfume inicial de um dinamismo louco, de uma energia positiva vinda do palco, que a todos atingiu.

Depois seguiram-se TVWC e a Queda dos Anjos (mais conhecida por Rosete), a noite estava fria, mas a malta toda preferiu ir assistir ao concerto da banda portuense, do que bater à porta de uma qualquer Rosete, decerto experimentamos todos muito mais prazer.

É-me Igual, Hipertensão, Não Sei Se Sei, e a balada, intemporal, Sozinho, seguiram-se, foi o momento para todos recarregarmos baterias, mas o João não cantou sozinho, pelo menos mil pessoas cantaram com ele, que momento.

Fio da Navalha, Sing Sing Club, 1, 2, Esq. Dir., antecederam outra balada, esta recentemente editada pela banda Nunca Mais, uma melodiosa canção com uma composição musical extraordinária, ao nivel de grandes músicos, um casamento perfeito entre o instrumental e a voz.

Esta balada vem, para mim, na linha dos Porto, uma banda paralela que o João e Rui, em dado momento das suas carreiras, fundaram e de onde resultou um extraordinário álbum de originais (Persicula Cingulata) composto por algumas baladas de uma composição instrumental incrível, na voz de João Grande, vale a pena ouvir.

Meu Manequim, em dueto com Rute Simone, voltou a agitar um pouco o ambiente, que teve o seu momento mais calmo com a canção Última Sessão, tocada em acústico com todos os elementos da banda sentados de frente para o público.

Depois desta aparente acalmia, foi sempre a ‘abrir’ até final, Não Mais, Às dos Flippers, TAXI e Vida de Cão, deram muita vida a um salão onde ninguém deu por perdido o tempo, um tempo que passou muito rápido, e não estou a falar só das duas horas do concerto, mas também os 45 anos desde a fundação da banda, onde no início das suas carreiras conquistaram o primeiro disco de ouro da história da música rock nacional. Muitas memórias, muita nostalgia, recordações e até marcos na vida de cada um de nós representaram, na fase das nossas vidas de juventude, cada uma destas canções.

Mas os fãs queriam mais, no encore, um cover dos Blur e para fechar com chave dourada, como se o concerto não tivesse sido todo dourado, a canção Chiclete.

Quando saí, a noite estava fria e um pouco ventosa mas nem me apercebi, a minha mente viajou no tempo, foi às minhas origens musicais, lembrei-me do tempo em que ia para a escola com o vinil TAXI debaixo do braço, dos concertos no Dramático de Cascais, de andar pelas ruas com o walkman nos ouvidos a ouvir os temas que me davam paz de espírito e sentido à vida para um adolescente de então.

Os TAXI são intemporais, é um legado musical que fica para sempre, João Grande e Rui Taborda, duas extraordinarias pessoas, são os pilares de um percurso que não foi fácil, mas saíram vencedores. Agora, e para castigo, que sejam eternos.

Com eles, e não menos extraordinários músicos, estiveram Jorge Loura (Guitarra), Nelson Santos (Guitarra ritmo), Hugo Pereira (Bateria) e Rute Simone (na voz de apoio).

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