Vieira edita o EP ‘Ossos’

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Um EP sobre aquilo que fica e sobretudo o que existe por baixo da pele.

Vieira não começa do zero. Começa de outro lugar.

Hoje, 16 de outubro, a artista apresenta “Ossos”, um EP de cinco canções que abre uma nova página no seu percurso e revela um momento de maior liberdade, experimentação e maturidade artística.

Produzido por Agir e Jon, “Ossos” aproxima a intensidade emocional e interpretativa do fado de uma linguagem sonora contemporânea, onde convivem produção eletrónica, ambientes cinematográficos, tensão, silêncio e espaço.

Não é uma tentativa de fazer “fado moderno”. Nem uma vontade de deixar o fado para trás.

É, antes, uma forma de retirar o fado do lugar onde esperamos encontrá-lo e perceber até onde pode viajar.

AQUILO QUE FICA QUANDO RETIRAMOS TODAS AS CAMADAS

O título “Ossos” nasce de uma imagem simples e poderosa: uma radiografia.

Uma radiografia atravessa a pele, ignora a aparência e revela aquilo que existe por dentro. Mostra a estrutura. Aquilo que sustenta. Aquilo que permanece quando as camadas exteriores deixam de ser suficientes.

É precisamente esse movimento que Vieira procura fazer neste EP.

“Ossos” é uma espécie de radiografia emocional. Um olhar para dentro sem filtros, onde a artista reconhece aquilo que a constitui e transforma essa matéria íntima em música.

“Barco”, o primeiro single, abre a travessia. Seguem-se “Ossos”, “Vidros”, “Longas Noites” e “Dias Vazios”, num conjunto de cinco canções que atravessa a perda, o desejo, a ausência, a reconstrução e as marcas invisíveis que permanecem depois de tudo o resto passar.

O FADO CONTINUA LÁ. MAS O TERRITÓRIO MUDOU.

Para Vieira, o encontro entre o fado e as sonoridades urbanas contemporâneas não representa uma rutura.

Representa uma continuação.

O fado sempre foi uma música urbana. Uma música de rua, de cidade, de noite, de proximidade, de pessoas e de vida vivida antes de ser cantada.

Em “Ossos”, aquilo que muda é o espaço sonoro onde essa intensidade passa a existir.

A relação de Vieira com a palavra, a forma de interpretar, a vulnerabilidade e a intensidade emocional continuam profundamente ligadas ao fado. Mas essas raízes são agora transportadas para outro território.

Vieira não abandona aquilo que traz dentro de si. Descontextualiza-o.

E é nesse deslocamento que encontra uma nova linguagem.

ACEITAR A METAMORFOSE

“Ossos” nasce também de uma transformação pessoal.

Da vontade de estar mais livre, de experimentar sem pedir licença e de aceitar que uma identidade artística não tem de permanecer imóvel para continuar a ser verdadeira.

Depois do álbum editado em 2024 e de “Relicário”, lançado em maio, Vieira apresenta-se agora num ponto diferente do seu percurso.

Mais disponível para o risco. Mais próxima daquilo que sente. Menos interessada em corresponder a uma definição única.

Porque crescer artisticamente talvez também seja isso: deixar de pensar a identidade como uma estátua e começar a entendê-la como uma metamorfose.

No fundo, “Ossos” é um EP sobre retirar camadas.

Sobre aquilo que somos quando desaparecem as imagens que construímos, as defesas que acumulamos e tudo aquilo que usamos para esconder o que existe por dentro.

Uma radiografia emocional daquilo que nos sustenta.

Vieira não deixa de ser aquilo que era.

Permite-se, finalmente, ser muitas coisas ao mesmo tempo.

“Ossos”:

1. Barco
2. Ossos
3. Vidros
4. Longas Noites
5. Dias Vazios

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