Diana Vilarinho estreia o videoclipe ‘Pamplona,1978’

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Diana Vilarinho estreia hoje, um videoclipe profundamente pessoal, inspirado na história real da sua avó materna.

Uma homenagem à força das mulheres, às raízes familiares e à coragem de recomeçar, construída a partir de imagens íntimas e memórias de família.

Há histórias que atravessam gerações. Histórias de mulheres que desafiaram o seu tempo, que encontraram coragem onde parecia não existir saída e que, mesmo perante a adversidade, nunca deixaram de procurar uma vida melhor.

É uma dessas histórias que dá vida a “Pamplona, 1978”, tema da fadista Diana Vilarinho que, a 16 de outubro, ganha uma nova dimensão através de um videoclipe construído a partir de imagens reais, memórias familiares e gravações íntimas. Mais do que uma homenagem, “Pamplona, 1978” é uma viagem às origens de Diana Vilarinho e ao percurso extraordinário da sua avó materna, uma mulher que encontrou na coragem de partir a possibilidade de voltar a nascer.

Nascida em 1937, em Macedo de Cavaleiros, numa aldeia de Trás-os-Montes, a avó da fadista viveu uma realidade marcada pela dureza da vida e pela violência doméstica. Mãe de dez filhos, numa época em que abandonar um casamento era socialmente condenado e particularmente difícil para uma mulher, tomou uma decisão que mudaria para sempre o seu destino: fugir de Portugal e procurar, em Pamplona, Espanha, a liberdade que lhe era negada.

Em 1978, acompanhada por alguns dos filhos, iniciou uma nova vida. Uma decisão de enorme coragem que, décadas depois, se transformaria em inspiração para uma canção e, agora, para um filme de família.

“Pamplona, 1978” é o lugar e o ano em que uma mulher encontrou a oportunidade de recomeçar.

A canção, com letra de Diana Vilarinho e música de André Santos, representa também um momento de afirmação pessoal enquanto autora.

“É a primeira vez que me atrevo a assumir que escrevo alguma coisa. Neste caso, tive um bocadinho mais de coragem porque falo precisamente sobre a minha avó materna.”

Ao longo da criação do disco, a história de vida da avó acabou por tornar-se uma referência central, inspirando muitas das inquietações, reflexões e emoções presentes nas canções. Aquilo que começou por ser uma inspiração transformou-se, quase naturalmente, numa homenagem à sua vida e à sua extraordinária capacidade de resistência.

“Foi uma mulher com muita força, com muita coragem, que encontrou maneira de mudar o rumo da sua vida e encontrar uma solução melhor para ela e, na altura, para os seus filhos.”

Se “Macedo de Cavaleiros, 1937”, outro tema do álbum, assinala o lugar e o ano do nascimento da avó, “Pamplona, 1978” representa simbolicamente o seu segundo nascimento. O momento em que deixou para trás uma vida de sofrimento e encontrou a possibilidade de escrever uma nova história.

UM VIDEOCLIPE QUE TRANSFORMA MEMÓRIAS EM IMAGENS

O videoclipe nasceu de forma espontânea, muito antes de existir a intenção de o transformar numa obra audiovisual. Nas suas viagens regulares a Pamplona, onde continua a visitar a avó e a família, Diana Vilarinho começou a levar uma câmara para registar momentos do quotidiano, conversas, rostos e pequenos fragmentos de uma memória familiar que queria preservar.

Inicialmente, o objetivo era apenas guardar imagens da avó para o futuro. Mas, à medida que o álbum foi ganhando forma, surgiu a vontade de dar um rosto à voz que já fazia parte da música.

“Já que tenho estas imagens e já que estou a falar dela neste disco e a homenageá-la de alguma forma, até porque uso a sua voz no disco, quis trazer uma imagem, uma cara, a essa voz que tem sido já ouvida.”

O resultado é um diário visual íntimo e profundamente humano, construído a partir de gravações realizadas nas últimas viagens a Pamplona, cruzadas com imagens de arquivo da infância da fadista.

Sem artifícios, o videoclipe revela pequenos momentos de uma família, os lugares de pertença e o rosto de uma mulher cuja vida se tornou inspiração para a geração seguinte.

“Foi meio que um diário visual de quem é a minha família, de quem são as minhas raízes, de quem é esta avó de quem falo e que tanto me tem inspirado.”

UMA HISTÓRIA SOBRE O PASSADO, MAS SOBRETUDO SOBRE A LIBERDADE

Apesar das memórias difíceis que lhe deram origem, “Pamplona, 1978” não é uma canção sobre a dor enquanto destino inevitável. É, acima de tudo, uma celebração da capacidade de transformação, da resistência e da liberdade de escolha.

É a história de uma mulher que recusou resignar-se. De uma mãe que encontrou forças para proteger os filhos. E de uma neta que, décadas mais tarde, transforma essa coragem em música, memória e homenagem.

“Emociona-me sempre, de alguma forma, perceber que era uma mulher com muita força, com muita coragem, que encontrou maneira de mudar o rumo da sua vida.”

Entre Portugal e Espanha, entre 1937 e 1978, entre a memória e o presente, Diana Vilarinho traça um caminho de afetos, resistência e identidade. Ao revisitar as suas raízes e dar visibilidade à história da avó, a fadista recupera também a memória de tantas mulheres que, numa época marcada por profundas desigualdades, encontraram a força necessária para desafiar o destino que lhes parecia reservado.

“Pamplona, 1978” é, assim, mais do que uma canção ou um videoclipe. É uma declaração de amor, um testemunho de coragem e uma forma de garantir que uma história de vida tão marcante não se perde com o passar do tempo.

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