Cuíca, o primeiro álbum de Mar

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O caminho tem sido longo e tudo menos previsível. E ainda a meio chegados mantém-se até ao fim a incógnita sobre a outra metade por desvendar.

Antes da sua tão aguardada estreia, CUÍCA deixou-se revelar precisamente por essa metade, espalhada por singles apresentados fundamentalmente ao longo do último ano, com “GRADUADA” a ser a derradeira canção que levanta o véu ao disco: CUÍCA, sublinhe-se novamente o título, é finalmente o primeiro longa-duração de MAR, escrito, composto e em grande medida produzido pela própria na sua inconfundível linguagem, que vai das palavras a tudo o que a música traduz sem que se explique.

Com um ponto de viragem assumido, no final de 2023, a partir de “CHAMPAIN” — primeiro single divulgado pela artista a cantar na sua língua-mãe —, “ATIRA-TE A MIM” veio então expandir definitivamente os horizontes do que, exactamente um ano mais tarde, viria a tornar-se um álbum: a cantora e compositora  luso-hispânica reapresentou-se em português, ao comando da sua direcção sonora já longe da linha que até então vinha a traçar para o seu reportório e, ainda, sob a alçada de um novo tecto editorial. Ao lado da Virgin Music Portugal, começou a abrir esse caminho ao que agora se materializa sob a forma de CUÍCA, um trabalho composto por 22 temas — entre os quais se encontram participações de Carolina Deslandes, Diana Lima, Kasha, Real GUNS e SleepyThePrince — que a dá a conhecer de identidade sedimentada por entre géneros e sonoridades tão opostas quanto se pode adivinhar.

De raízes algarvias bem vincadas, a influência de uma mudança definitiva para a capital reflecte-se num cruzamento constante entre a saudade e a projecção de futuro que marca a narrativa do disco. E “GRADUADA”, single destacado para a inauguração oficial do projecto, espelha por excelência essa dualidade entre versatilidade e personalidade que sobressai a cada faixa: a sensibilidade que emerge da sua abordagem melódica, a vulnerabilidade que se faz sentir na sua voz, e a criatividade que subjaz à sua escrita, todos eles elementos basilares das múltiplas formas e nuances que a música de MAR ganha, quer isso signifique rap puro e duro, quer seja R&B de tons cristalinos, ou sobreposições desses mundos e tantos outros.

Fica de CUÍCA uma nova metade que confirma tudo o que a primeira, durante os últimos doze meses, já antevia: MAR é hoje uma artista absolutamente segura de si própria por muito que a fragilidade ganhe espaço nestas canções. Justamente porque estas canções falam mais alto sobre o seu talento concretizado num trabalho de uma maturidade humana e artística assombrosas. De onde vem, foi sempre isso que quis mostrar. E saber de onde vem é a chave para descodificar, entre linhas tão sofisticadas na escrita quanto deslumbrantes na voz, por onde CUÍCA nos há-de levar.

E é no rescaldo de CUÍCA, já no próximo dia 27 de março, que MAR se estreia por terras espanholas, com um concerto na mítica Sala Apolo, em Barcelona, por onde já passaram nomes como Rosalía, Bad Gyal, Nathy Peluso, Justice, The XX, entre outros. Este concerto surge assim como um momento de consagração da artista luso-hispânica.

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