Depois de ter revelado os temas “O Mundo Sou Eu”, “Amor Sem Nome”, “Pisa a Poça”, com Tainá, e “Contramão”, o artista apresenta agora o disco completo, num trabalho que reúne onze canções sobre o amor, a perda, a procura, a mudança e a difícil tarefa de continuar a avançar.
“Amor Sem Nome” abre o disco com uma canção sobre a distância que se instala entre duas pessoas e sobre a dificuldade de aceitar o fim de uma relação. A imagem da viagem atravessa o tema — alguém que surge como uma miragem, fácil de escolher, mas difícil de alcançar — até à constatação de que aquele amor acabou. É uma entrada imediata no universo emocional de Vir a Ser.
Em “Aperto em mim”, a inquietação torna-se mais interior. O protagonista está preso numa rotina, cansado de procurar uma saída e consciente de que talvez seja preciso afastar-se para conseguir respirar. A canção traduz um estado de suspensão que antecede a mudança: a sensação de que o caminho pode estar lá fora, mas também dentro de nós.
“Pisa a Poça”, com Tainá, introduz uma dimensão mais luminosa no disco. A canção transforma a ideia de avançar apesar das dificuldades numa espécie de manifesto de perseverança: é preciso não perder o pé, procurar o próprio lugar, deixar a vida crescer e, sobretudo, não ter medo de se perder pelo caminho.
É precisamente a partir dessa procura que surge “O Que Te Resta”. A canção coloca a pergunta essencial: o que fazer quando já se procurou o gatilho e o travão, quando ainda não se encontrou uma senda ou uma lição? A resposta não é definitiva. “Só te resta remar”, canta Diogo Zambujo. Com este tema, Vir a Ser encontra na ideia de movimento o seu principal fio condutor. Há personagens que partem, relações que terminam, lugares que se deixam para trás e perguntas que permanecem sem resposta. Mas há também a vontade de continuar, mesmo quando o caminho não é claro.
Em “Contramão”, a espera, a procura e a vontade de partir dão lugar a uma decisão: deixar para trás aquilo que se foi e avançar mesmo sem garantias. A mala fica por levar, o passado escapa-se da palma da mão e o protagonista decide viver “em contramão”.
“O Mundo Sou Eu” desloca a procura para dentro. Entre memórias, sonhos e a sensação de que o real se interpõe entre aquilo que se deseja e aquilo que se vive, a canção termina numa espécie de gesto de introspeção: parar, ficar em silêncio e olhar para dentro.
O lado B de Vir a Ser abre com “Rosas e Trevas”, uma canção sobre o amor enquanto escolha continuada. Existe a consciência da juventude que desaparece e da vida que avança, mas também a certeza de que os momentos partilhados, os abraços, os beijos, as guerras e os segredos permanecem na memória.
“Luar” recupera a inquietação e a sensação de vida suspensa presentes noutras canções do disco. Há uma espera por uma hora certa que nunca chega completamente e uma vontade persistente de encontrar o lugar onde finalmente poderá ser aquilo que quiser.
A canção “Ferida Sarada”, o single do álbum, acompanha duas pessoas que seguem caminhos diferentes, com a possibilidade de um reencontro futuro, e encontra na ideia de cura — lenta, imperfeita, mas possível — uma das suas imagens mais fortes. O passado continua presente, mas já não determina necessariamente o futuro.
“Outro Quarto Qualquer” regressa ao território das relações fugazes. A intimidade de uma noite que termina ao amanhecer dá lugar à consciência de que há pessoas que chegam, deixam uma marca e partem.
“Mais Um Dia” encerra o álbum com uma porta aberta à possibilidade de continuidade. Mesmo quando parece não restar muito, ainda existe o dia seguinte — e talvez seja precisamente aí que começa o processo de voltar a ser.
Musicalmente, Vir a Ser acompanha essa diversidade emocional sem se fechar numa única fórmula. É um disco onde convivem canções de matriz portuguesa, melodias que evocam a música brasileira, apontamentos de jazz e momentos em que surgem traços mais rock. Diogo Zambujo contou com a participação de músicos como André Santos, Joel Silva, João Moreira, Valter Freitas e a já referida Tainá.
Gravado entre Vale de Lobos, o audivibe e o Roma 49, o disco foi produzido por André Santos, com Bernardo Barata a assumir grande parte da gravação, mistura e masterização. Todas as letras e composições são de Diogo Zambujo.
Mais do que uma coleção de singles já conhecidos, Vir a Ser revela agora o percurso completo que estava por detrás deles. É um álbum sobre aquilo que se perde e aquilo que permanece, sobre partir sem saber exatamente para onde e sobre aprender a reconhecer-se depois da mudança. Uma estreia auspiciosa para Diogo Zambujo, que apresentará igualmente o álbum em palco. As próximas datas são:
30 Outubro – Teatro Municipal da Guarda, Guarda
31 Outubro – Casa das Artes de Miranda do Corvo
7 Novembro – Pax Julia Teatro Municipal, Beja
14 Novembro – Teatro Fonseca Moreira, Felgueiras
5 Dezembro – CAE de Vale de Cambra
11 Dezembro – Teatro Municipal António Pinheiro, Tavira
2027:
5 Fevereiro – Teatro Municipal de Vila Real
20 Fevereiro – Ílhavo
3 Março – Teatro Maria Matos, Lisboa