Depois da melancolia de «De Sombra a Sombra», Milhanas abre as portas a um novo universo musical e emocional. «Surto», o seu segundo álbum, chega a 25 de setembro e revela uma artista que já não procura apenas a beleza na tristeza, mas também na alegria de viver.
«Estar viva é, por si só, um surto.»
É nesta afirmação que Milhanas encontra o ponto de partida para o seu segundo álbum, Surto, com lançamento marcado para 25 de setembro. Um trabalho profundamente pessoal, visceral e livre, que assinala um novo capítulo na carreira de uma das vozes mais singulares da música portuguesa.
Se no primeiro disco habitava um universo marcado pela melancolia, pela poesia e pela tradição da canção portuguesa, agora Milhanas abre as portas a novas linguagens e referências. Patti Smith, Pink Floyd, Leonard Cohen, Nick Cave, Radiohead e Beatles cruzam-se com o cinema de Jean-Luc Godard e Ingmar Bergman, duas influências determinantes na construção da atmosfera deste novo trabalho.
A poesia não desaparece, mas o cinema assume um papel protagonista. As imagens, as personagens e os universos cinematográficos transformam-se em matéria de criação, numa descoberta artística que acompanha também uma profunda transformação pessoal.
Surto é, acima de tudo, um disco sobre a liberdade de existir sem procurar a perfeição. A tristeza continua presente, mas já não ocupa todo o espaço. Há agora uma curiosidade renovada pela vida, uma vontade de aceitar as suas contradições e de descobrir beleza mesmo no meio das tempestades.
«Descobri, neste processo, que não sou menos artista por procurar ansiosamente ser feliz.», afirma Milhanas.
Essa transformação atravessa as 12 faixas do álbum, que abre com uma viagem autobiográfica. Em Intro, Milhanas percorre cronologicamente a sua vida: as memórias de infância associadas a Fausto, a descoberta da música através do violino, o encontro com a literatura e a poesia de Álvaro de Campos e, finalmente, a entrada na vida adulta, entendida como um território de liberdade.
É o início de uma narrativa que se desenvolve ao longo de canções como Deserto, Mais je ne suis, Ou então leva-me, Se o Jardim Secar, Descansa ou Sabor da Cereja, culminando em Passed Away.
O álbum inclui ainda uma colaboração especial com João Paulo Esteves da Silva em Se Eu Pudesse Chorar. Produzido por Jon, Milhanas, Rodrigo Correia e Manel Oliveira, Surto foi gravado no Estúdio Vale de Lobos, com captação de Nelson Carvalho, mistura de Marcelinho Guerra e masterização de Fernando Delgado.
O resultado é um disco que abraça a espontaneidade, a vertigem e a imperfeição como parte essencial da criação artística. Um trabalho em que Milhanas se permite experimentar, arriscar e descobrir novas formas de expressão, sem abdicar da identidade que a tornou uma voz tão reconhecível.
Se no primeiro disco Milhanas estava dormente e alheada, em Surto está finalmente viva.
E estar viva é, por si só, um surto.