The Boys of Dungeon Lane não é apenas o 18.º álbum a solo de Paul McCartney; é uma coleção de vislumbres raros e reveladores de memórias nunca partilhadas, a par de algumas novas canções de amor, de uma das figuras mais culturalmente relevantes do nosso tempo.
Com The Boys of Dungeon Lane, Paul McCartney vira o olhar para dentro, revisitando os anos formativos que moldaram não só a sua vida, mas também os próprios alicerces da cultura popular moderna. Numa carreira definida por narrativas intemporais e personagens inesquecíveis, Paul McCartney conta agora a história mais pessoal de todas: a sua. The Boys of Dungeon Lane é o seu álbum mais introspetivo até à data e leva o ouvinte de volta ao ponto de partida.
Estas extraordinárias novas canções revelam um Paul franco, vulnerável e profundamente reflexivo, escrevendo com uma abertura rara sobre a sua infância na Liverpool do pós-guerra, a resiliência dos seus pais e as primeiras aventuras partilhadas com George Harrison e John Lennon, muito antes de o mundo sequer ter ouvido falar de Beatlemania. Foram anos que os historiadores continuam a estudar — dias tranquilos e desprotegidos que, sem o saberem, lançaram as bases de uma revolução cultural. Paul revisita-os não como mitos ou lendas, mas como memórias suas.
O álbum vai buscar o título a uma das suas canções de destaque, já disponível, “Days We Left Behind”, um tema despido e profundamente íntimo que capta o núcleo emocional do projeto. Dungeon Lane é um lugar que Paul ainda vê quando regressa a casa, funcionando como uma porta simbólica para um mundo anterior à fama: tardes junto ao Mersey, um livro de observação de aves na mão, “smoky bars and cheap guitars” e sonhos ainda por viver.
“Esta é muito uma canção de memórias para mim. O título do álbum, ‘The Boys of Dungeon Lane’, vem de um verso desta canção. Estava a pensar exatamente nisso, nos dias que deixei para trás, e muitas vezes pergunto-me se estou apenas a escrever sobre o passado, mas depois penso: como é que se pode escrever sobre outra coisa? São muitas memórias de Liverpool. Há também uma parte a meio sobre o John e a Forthlin Road, que é a rua onde eu vivia. A Dungeon Lane fica perto. Eu vivia num sítio chamado Speke, que é bastante operário. Não tínhamos praticamente nada, mas isso não importava porque as pessoas eram fantásticas e nem dávamos por não ter muito.”
Para além de estar repleto de reflexões tocantes de um artista cuja influência está entranhada no tecido das nossas vidas, The Boys of Dungeon Lane inclui também novas canções de amor no estilo inimitável de Paul McCartney. Um mundo sem Paul McCartney é impossível de imaginar, mas aqui os ouvintes podem viajar até um mundo que existia antes de tudo mudar, com memórias nunca partilhadas e revelando, com extraordinária honestidade, a história humana por detrás de um ícone global. Esta é a história antes da HISTÓRIA.
Sobre a criação do álbum:
The Boys of Dungeon Lane começou a ganhar forma há cinco anos, quando Paul se encontrou com o produtor Andrew Watt para tomar uma chávena de chá e trocar ideias. Enquanto tocava guitarra durante o encontro, Paul deparou-se com um acorde que nem ele — o compositor vivo mais bem-sucedido do mundo — reconheceu. Sem se deixar intimidar e movido pela sua natureza experimental, continuou a alterar uma nota, depois outra, até chegar a uma sequência de três acordes — que Watt sugeriu que gravassem.
Dessa sessão nasceu a canção de abertura do álbum, “As You Lie There”. Incentivado pelo seu novo produtor, Paul desenvolveu a canção, tocando a maioria dos instrumentos — muito no espírito do seu álbum de estreia a solo de 1970, McCartney. Assim começou a viagem do que viria a tornar-se o seu 18.º álbum de estúdio assinado exclusivamente por Paul McCartney.
A agenda preenchida de Paul fez com que o álbum fosse gravado em sessões concentradas e eficientes entre várias etapas de digressões mundiais ao longo de cinco anos, alternando entre Los Angeles e Sussex. Sem pressão de editora nem prazos definidos, os dois puderam criar o álbum ao seu ritmo e de acordo com a sua visão.
Tal como a sua carreira, The Boys of Dungeon Lane é musicalmente eclético e mostra Paul a explorar uma variedade de instrumentos e estilos, evidenciando a sua ampla musicalidade. Há rock ao estilo dos Wings, harmonias à The Beatles, grooves à McCartney, intimismo contido, narrativas guiadas pela melodia, canções centradas em personagens — sendo o fio condutor comum, simplesmente, Paul.