Quantidade não significa qualidade, mas há excepções a assinalar. Real GUNS é uma delas, e 2026 tem-se revelado em poucos meses mais um ano de validação do seu modus operandi incomparável. Só no primeiro trimestre, contam-se já quatro trabalhos a solo editados: SOG, um longa-duração dividido em dois volumes, mais Londone Lisboa, dois EP — editados sem aviso prévio — que se complementam numa história de vida narrada através do rap crioulo mais duramente puro que o hip-hop nacional ouviu na última década.
Com novas quatro faixas para apresentar, Lisboa é a chegada ao ponto de partida dado em London. Uma viagem que simboliza o percurso de Ovilton Santiago enquanto artista, cujos primeiros passos no rap se deram pela influência sonora da sua passagem pelo Reino Unido, mais tarde potenciados já de volta à cidade que o viu crescer desde criança até se formar homem.
Desde mais um reencontro com o seu parceiro habitual General Mucuemba até a uma homenagem explícita ao malogrado Betto Di Ghetto, Real GUNS fecha um novo ciclo discográfico na mesma página que há um par de semanas iniciou. De London a Lisboa, o cariz documental do seu rap continua a ser linha condutora de um reportório imaculado, desta vez com especial entrega à introspecção retrospectiva sobre um percurso trilhado a pulso que o trouxe até aqui. Aqui, onde? Ao SOG Radio Show, por exemplo, onde apresentará o seu novo projecto precisamente no dia em que o estreia. Com hora certa para sintonizar neste canal de London a Lisboa, que o fuso horário é o mesmo.