Alphaville trouxe a Juventude Eterna ao Coliseu

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O Coliseu de Lisboa encheu, esta noite, para ver e ouvir uma das bandas mais marcantes do synth/pop dos anos 80. Refiro-me aos Alphaville, uma banda formada em 1982, que se apresentavam com um ‘look’ futurista e arrojado próprio daquela época.

Os anos passam por todos nós e Marian Gold, o único membro fundador da banda em palco, não é excepção, aquele jovem elegante e de cabeleira farta deu lugar a um homem em que se nota que os anos passaram por ele, por todos nós. O timbre de voz e o alcance também já são outros mas a qualidade vocal, a energia colocada em palco, mesmo depois de na véspera ter actuado no Porto e a sonoridade da banda mantêm-se inalteradas, excelentes.

Antes de ser mundialmente conhecida por Alphaville, a banda chamava-se Forever Young um nome premonitório para aquilo que assisti no Coliseu e de que é a prova, a já longa carreira do vocalista, que teimou em mostrar um espírito jovial e alegre, com muita dinâmica em palco, apesar dos quase 68 anos de idade, fiquei com inveja.

Foi também (Forever Young) o nome que deu título ao álbum de estreia da banda e ao seu primeiro grande sucesso internacional em 1984, que incluía a música que deu o nome ao disco ‘Forever Young’ onde pontificaram outros grandes sucessos tais como ‘Big in Japan’ e ‘Sounds Like a Melody’.

Com um alinhamento riquíssimo cantou todos os sucessos que foram top em algumas tabelas da especialidade por esse mundo fora. Durante o concerto foram várias as vezes que levou o público ao delírio. Comunicativo e dialogante, respondendo a alguns piropos da plateia, Marian Gold granjeou a simpatia e muitos aplausos de uma sala completamente cheia provocando reacções emotivas por parte de algumas fãs nas filas junto do palco.

A abrir a banda tocou Jet Set logo para agitar as águas, seguiu-se Monkey in the Moon e em seguida uma dupla dose de sonoridade que nos fazia levitar quando éramos adolescentes Dance With Me e Big in Japan, nesta altura já muitos fãs dançavam ao som destas icónicas músicas.

I Die For You, Next Generation, The Elevator, Flame e Jerusalem (vamos levar amor, por Jerusalém oramos) uma canção de oração por um povo fustigado pela guerra, estávamos em 1985 mas nada mudou, apenas a música ficou para ouvirmos em noites nostálgicas, foram as que se seguiram.

Depois Summer in Berlim, Nevermore, A Victory of Love e em seguida outra dupla dose de grandes sucessos Sounds Like a Melody e Forever Young a fechar o concerto, antes de um encore, com o público delirante, a grande maioria cinquentões, em pé, recordando talvez os seus tempos de juventude irreverente em que certamente imaginavam ser uns jovens para sempre. E somos.

No encore os temas Iron John e a balada Beyond the Laughing Sky a fechar em apoteose este concerto que me vai ficar na memória para sempre.

Marian Gold teve o condão de me fazer viajar no tempo, de me ter ‘obrigado’ a ficar até final do concerto e a cantar com ele a maioria das canções, no fim, depois do concerto, não viajei apenas para casa, viajei também no tempo, num tempo que me trouxe gratas recordações, daquele tempo em que éramos felizes e não sabíamos, mas nunca deixei de me sentir um eterno jovem (forever young), esse sentimento os anos nunca o vão levar.

Fotos do concerto AQUI por Joaquim Galante

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