Luca Argel anuncia ‘Direito de Sambar’ em videoclipe e concerto no Porto

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Depois de editar “Samba de Guerrilha” em Fevereiro e de esgotar o Teatro da Trindade INATEL em Lisboa, o cantautor brasileiro Luca Argel prepara-se agora para apresentar pela primeira vez ao vivo o seu mais recente disco na cidade onde mora há quase 10 anos, num concerto muito especial no Teatro Sá da Bandeira no próximo dia 08 de Junho.

Antes de subir a palco presenteia-nos agora com um novo vídeo de um dos temas que fazem parte de “Samba de Guerrilha“. “Direito a Sambar” é um vídeo de imagens de arquivo editado pelo próprio Luca Argel e nos constrói um paralelismo entre as manifestações Toyi-toyi  no Zimbábue e África do Sul com o carnaval de rua no Brasil.

“Não podemos derrotá-los fisicamente, mas podemos aterrorizá-los com nossa música”.

É assim que o jazzista sul africano Hugh Masekela define um género musical muito disseminado no seu país nas últimas décadas, o toyi-toyi. Trata-se de uma dança e um canto, entoados por multidões em marcha, que surgiu como estratégia para intimidar a polícia nas manifestações anti-apartheid.

Do outro lado do Atlântico, embora tenha uma trajetória bem diferente, o samba também floresce no Brasil como forma musical de resistência coletiva. “Numa sociedade profundamente desigual e racista, quase todos os direitos foram negados aos descendentes dos escravizados africanos, mas nunca lhes conseguiram tirar a música”, refere Luca Argel.

“É proibido sonhar, então me deixe o direito de sambar”, é como bem resume o sambista baiano Batatinha, num dos seus mais belos refrões deste tema. “E vendo os sul africanos cantando e dançando o toyi-toyi pelas ruas, é nele que penso. Quase consigo ver ali as multidões que tomam conta das ruas com música e dança no carnaval, ou os imensos bailes funk das periferias e favelas brasileiras. Caldeirões a transbordar as tensões acumuladas por séculos de repressão colonial, que a qualquer momento podem tanto transbordar para a beleza sublime, quanto para o horror e violência“, refere Luca Argel que se socorre de imagens de arquivo para nos mostrar também estes paralelismos. 

Se “Samba de Guerrilha” nos conta estas histórias de muita luta, glória e desventuras, agora é a primeira oportunidade de embarcar nesta epopeia ao vivo na cidade do Porto. Por isso vale a pena não esquecer que dia 8 de Junho, o artista apresenta-se ao vivo no Teatro Sá da Bandeira.

Não faltarão motivos para celebrar, já que o concerto acontece no dia do seu 33.º aniversário, mas uma vez mais é o público que sai presenteado, já que este concerto contará com as participações muito especiais de Tiago NacaratoO Gringo Sou Eu e Karla da Silva.

Os bilhetes para o concerto do próximo dia 8 de Junho no Teatro Sá da Bandeira já estão disponíveis no site da Ticketline.
Oferta de um jornal “Samba de Guerrilha” na compra de bilhete para Cadeira de Orquestra.

“Samba de Guerrilha” não se assume apenas como um disco, mas sim uma obra que reúne múltiplas expressões artísticas em si: da música de Luca Argel à narração de Telma Tvon, ilustração de José Feitor e poesia de tantos artistas. É uma samba opera, conceito emprestado da rock opera popularizado por PeteTownshend (The Who).

Para compreender este disco importa também perceber as origens do seu conceito. “Samba de Guerrilha” é um projeto que começou em 2016, e cresceu durante 5 anos até se transformar em disco. Nasceu como um concerto-workshop sobre a história política do samba. Fora dos palcos, este conceito desenvolvido por Luca Argel tomou a forma de artigos escritos, seminários, programas de rádio, até finalmente se efetivar num 4.º álbum do cantautor — e o primeiro de versões.

“Samba de Guerrilha” é uma viagem no tempo, onde conhecemos histórias e personagens do combate ao racismo, à escravidão e às desigualdades. Ouvimos a narrativa em forma de samba, mas um samba que, desta vez, está permanentemente a testar os limite das suas possibilidades musicais, um samba reinventado, eletrificado, nascido a um oceano de distância da tradição.

Entre clássicos e jóias pouco conhecidas do repertório do género, os temas são todos eles versões de sambas já existentes mas que, juntos neste trabalho, contam a história deste género musical.

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