Pedro de Tróia deu concerto inesquecível na apresentação do álbum ‘Tinha de Ser Assim’

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Vou esquecer por momentos o que aprendi em jornalismo, acerca da escrita directa e não romanceada, e descrever-vos o melhor possível o que aconteceu no evento a que acabei de assistir, um texto tipo ‘Viagens na Minha Terra’ de Almeida Garrett.

Hoje fui ao teatro Capitólio, fui nas calmas, ainda passei pelo Coliseu para cumprimentar a promotora do concerto que ali ia ocorrer (Anselmo Ralph) e fui depois em passo lento para o dito teatro a pensar no que o Pedro de Tróia, teria para me/nos oferecer.

Entrei nas calmas, afinal ainda faltava cerca de uma vintena de minutos para começar o show e, passada hora e meia, saí a correr, bom não foi bem a correr, mas foi a andar depressa, demorei vinte minutos a chegar a casa, moro no Castelo, não lá dentro, não sou nenhum rei, mas moro ao lado.

Entrei, larguei a tralha rapidamente e fui buscar um livro que o meu pai diz que usava na primária e que fala de adjectivos superlativos absolutos analíticos sintéticos e não sei mais o quê, bom não vos vou explicar o que são estas coisas da língua portuguesa, porque simplesmente não sei bem explicar, mas queria encontrar um adjectivo acompanhado de um advérbio para destacar o verbo que tinha acabado de me encher o coração e a alma.

O verbo era sem dúvida Pedro de Tróia. Não encontrei nem adjectivo ou advérbio adequado o suficiente para classificar o que tinha assistido, ainda estará por inventar. Na história mitológica, Tróia perdeu a guerra mas o Pedro ganhou um público que encheu o Capitólio, ganhou fãs e ganhou-me também a mim que saí rendido a tamanho talento.

Mas comecemos pelo princípio, o Pedro entrou no palco, com os músicos que o acompanhavam, João Eleutério, Rita Laranjeira, Silas Ferreira, Tomás Branco e a participação especial de Ana Claudia no back vocal, num ambiente escuro e cheio de fumo (como eu odeio aquele fumo), agarrou-se ao microfone, e cantou com voz firme e melodiosa três seguidas sem parar tal como na rádio. Faltou-lhe o fôlego, deduzo eu, e começou então a falar.

Começou logo por dizer que era tímido, não precisava de o dizer já todos tínhamos reparado nisso, mas depois não se calava, de repente pensei estar num stand up comedy de tão divertida a intervenção que até me esqueci que tinha ido ali para assistir a um concerto musical.

Depois de cantar ‘Namorada’, ‘Gosto Tanto de Ti’ e ‘Dor no Ombro’, sem falar com ninguém, anunciou que ia cantar o tema ‘Embaraçado’ que, segundo ele, foi como tudo começou, não sei há quanto tempo foi porque actualmente de embaraçado não tem nada.

Desembaraçado, o Pedro de Tróia, tal como o cavalo grego que enganou os troianos, enganou-nos também a nós, a classificação de tímido e embaraçado para ele não deve ter a mesma conotação. Depois vieram as dedicatórias, Passarinho dedicou-a ao agente Pedro Valente e explicou que era graças a ele que estava hoje a pisar o palco do Capitólio. Bem tínhamos algo em comum, eu também ali estava graças ao Pedro Valente da promotora Azáfama.

Depois cantou ‘Ballet’, ‘Rés-do-chão’, ‘Dente de Leão’, ‘Salvadora’ e ‘Mãe’, cada uma delas dedicada a um dos membros que o acompanhavam na banda, todos eles com méritos por o terem ajudado a trilhar o caminho, mas tudo bem explicado antes de soltar a voz, musicalmente falando.

Pelo meio um dueto com Rui Reininho nas canções ‘Carrossel’ e ‘Asas (eléctricas)’ dos GNR, o Rui rapidamente disse que iam dar duas sem tirar talvez para evitar conversas e mais dedicatórias. As ‘asas servem para voar’ cantava o vocalista da famosa banda de rock portuguesa, mas por esta altura já o Capitólio pairava nas nuvens. Depois do tema ‘Mãe’, Pedro anunciou o término da sua actuação no emblemático teatro lisboeta, pensava ele, pensou mal, o público obrigou-o a um encore.

Regressou e de luz nos olhos, um pedido que fez ao técnico para não encarar o público e se emocionar pelo regresso aos palcos depois de treze meses de ausência devido à pandemia, aproveitou para dedicar as próximas músicas a mais alguém, foram tantos mais que cheguei a pensar que se não tivesse a luz nos olhos era capaz de conseguir ver-me e incluir-me na lista. Agradeceu, entre muitos outros, à Sara Espírito Santo e ao Ricardo Rodrigues a promoção e divulgação do evento, outro ponto em comum eu também lhes agradeço pela simpatia e disponibilidade para intermediar o acesso aos mesmos.

Cantou então no regresso ‘Não te vou deixar para trás’, acompanhado pelo primo à viola, a quem ele ensinou a tocar sem ele mesmo saber tocar, a seguir ‘Nunca falo demais’ já com a banda e terminou com Carrossel, o single de avanço do seu novo trabalho ‘Tinha de ser assim’, que era para ter sido em dueto com o Rui Reininho mas este já devia ter voado a outras paragens.

Depois de tudo isto, quero dizer-vos que aquilo que me levou ao Capitólio foi exactamente assistir ao lançamento, ao vivo, pelo Pedro de Tróia do seu mais recente trabalho musical, um álbum que tem por título ‘Tinha de Ser Assim’.

Quem teve a felicidade de estar presente, assistiu certamente a um dos melhores concertos do ano por toda a envolvência, tudo foi óptimo, a qualidade musical e instrumental, os vocais de apoio (back vocal), a interacção com o público, conseguiu fazer com que o público se integrasse e se sentisse parte do espectáculo, a alegria e a energia emanada do palco foram o tónico para um concerto para recordar. Até eu o acompanhei com o meu ‘front vocal’, mesmo sem saber antecipadamente as letras, ele é que não se apercebeu certamente, faltou-me a amplificação.

Pedro de Tróia é figura incontornável no panorama musical português. Ex-vocalista da banda pop Os Capitães da Areia, aventurou-se a solo em 2020, com o álbum “Depois Logo Se Vê”, onde se destacaram os singles “Embaraçado”, “Salvadora” e “Nunca Falo Demais”. Hoje anunciou para breve um terceiro álbum de inéditos, a curiosidade é grande.

Quem não pode estar presente no Capitólio com certeza terá outras oportunidades, um espectáculo com esta qualidade não pode ser único.

Alinhamento (a bold as canções do novo álbum): NamoradaGosto Tanto De TiDor No Ombro – Embaraçado – PassarinhoBallet – Rés-do-Chão – Dente de Leão – Carrossel – Asas – Salvadora – Mãe Encore: Não Te Vou Deixar Para Trás – Nunca Falo Demais – Carrossel

Fotos do concerto AQUI por Joaquim Galante

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