‘Podia ser Natal’ dos UHF foi prenda antecipada no Coliseu do Porto

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A prenda de Natal chegou mais cedo ao Porto, no Coliseu Ageas assistiu-se a um concerto acústico e intimista dos UHF, com certeza inesquecível, que trouxeram com eles os convidados coral juvenil do orfeão de Rio Tinto e João Grande, vocalista da banda TAXI que, juntamente com os UHF, nos idos anos 80, deram o pontapé de saída para o que viria a ser denominado o ‘boom do rock cantado em português’.

Num palco em círculo, no chão, olhos nos olhos com o público, os UHF estiveram ao nível a que já nos habituaram, com exigência máxima na qualidade musical e acústica dos seus espectáculos. Nos ensaios ficou demonstrado que o vocalista, António Manuel Ribeiro eterno líder da banda, está atento ao mínimo detalhe, para ele tem que ser perfeito, não se coibindo de parar o ensaio e reunir a equipa em círculo para acertar agulhas.

Desta vez, talvez pelo alinhamento ser bastante alargado, com mais de vinte canções, e o público estar mais perto dos artistas, António dialogou menos, mas quando o fazia introduzia os fãs no ambiente, ‘é graças a vós que mais de 40 anos depois ainda aqui estamos‘ esticando o braço e apontando para aos fãs. Espero que por muitos mais anos.

Os UHF abriram com ‘A saudade é uma ressaca‘ seguindo-se ‘Porquê só ela‘ e ‘O vento mudou‘ do saudoso Eduardo Nascimento, exemplarmente tocada pela banda, depois ‘Cavalos de corrida‘ a música que lançou o grupo para o estrelato em 1980, canção filmada em directo pela CNN.

Matas-me com o teu olhar‘ que resulta melhor em acústico que a anterior, empolgou o público, afinal quem consegue ficar sentado com tamanha envolvência musical, logo depois ‘A lágrima caiu‘, ‘Em Dezembro meu amor‘, ‘Foge comigo, Maria‘, ‘Bora lá‘, ‘Toca-me‘ e ‘Silent Night‘, dedicada à quadra natalicia, antes de levar as ‘Noites lisboetas‘, cantada sem o apoio de banda, ao coliseu do Porto.

Já com o coral juvenil do orfeão de Rio Tinto em palco, foram tocadas quatro músicas entre elas ‘Hallelujah‘ e ‘Podia ser Natal‘, canção esta que serviu de mote para o título do concerto. Depois, já sem o coral juvenil, os UHF interpretaram ‘Menina‘, chegando então à muito aguardada ‘Rua do Carmo‘, não só pelo que ela representou em termos de futuro para os UHF, foi o grande sucesso musical da banda logo a seguir aos ‘Cavalos de corrida’, o que permitiu consolidar os caminhos que os trouxeram até aos dias de hoje, embora com alguns altos e baixos, o que é normal numa banda com mais de 40 anos de actividade ininterrupta, mas também pela grande expectativa de ver João Grande, na sua cidade, em ambiente natalicio, convidado por António Manuel Ribeiro, para em dueto interpretar esta canção.

Foi emotivo. Emotivo desde logo para o líder da banda, recordou quando se traçou uma fronteira tipo ‘Tratado de Tordesilhas’, o norte para os TAXI o sul para os UHF, emotivo também porque recordou a rivalidade existente, uma rivalidade criada principalmente pelas editoras, Valentim de Carvalho e Polygram, e que terminou numa grande amizade e admiração que nutrem hoje um pelo o outro.

Depois do abraço entre ambos, João Grande visivelmente feliz por estar em palco disse, para além de agradecer aos UHF pelo convite, que escolheu cantar a ‘Rua do Carmo’ por ser uma das suas favoritas e que desta vez, em jeito de piada, eram os UHF que tinham que se deslocar para Lisboa depois do concerto, contrariamente ao que acontecia com os TAXI quando tinham que actuar maioritariamente em palcos lisboetas.

O dueto resultou perfeito, além da classe vocal destes dois senhores do rock, notava-se uma empatia muito grande, uma energia positiva que era emanada do palco e que contagiou os presentes. De salientar a grande agilidade do vocalista portuense, os anos não passaram por ele, incentivando e empolgando ainda mais o público.

Ao som da ‘Rua do Carmo’ viajamos no tempo, fomos às origens do rock português, aos primórdios dos UHF, ao álbum ‘À flor da pele’ e paralelamente aos TAXI com o seu álbum homónimo, lançados ambos em 1981 e que foi o primeiro álbum de uma banda rock portuguesa a atingir o ouro, seguido pelo dos UHF.

Outros tempos, em que íamos para a escola de vinil, aquele monstro comparado com o CD actual, debaixo do braço, de passearmos pelas ruas de walkmans nos ouvidos ao som do rock português. Deste concerto ficaram duas sensações para os fãs destas duas bandas, os UHF estão para ‘lavar e durar’, o António além de um excelente músico, é também um comunicador por excelência e não irá deixar morrer um projecto com tamanha vitalidade e que os TAXI liderados pelo João Grande e que conta também com Rui Taborda, ambos fundadores, embora com um percurso diferente dos UHF, nos continuem a surpreender com a sua música, com a sua voz e com os seus acordes. Os fãs esperam para breve trabalhos inéditos destas duas bandas.

Depois do abraço de até já, o João viria a entrar no final para as despedidas colectivas e agradecimento ao público, o concerto continuou com ‘Um mau rapaz‘, o encore, com o público em pé a bater palmas até ao regresso dos músicos, trouxe-nos ‘A música‘, ‘Dança comigo‘, ‘Nove anos‘ e já com o coro em palco ‘Portugal somos nós‘.

Duas horas que irão ficar na memória dos fãs que ali se deslocaram para assistir ao concerto ‘Podia ser Natal’.

Fotos do concerto AQUI por Joaquim Galante

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