A 11.ª edição de O Sol da Caparica recebeu mais de 105 mil pessoas no Parque Urbano da Costa da Caparica, confirmando a dimensão nacional de um festival que continua a juntar diferentes gerações, géneros musicais e geografias num mesmo recinto.
O sábado, 15 de agosto, registou lotação esgotada. Ao longo dos quatro dias, a edição de 2026 apresentou uma distribuição do público mais equilibrada do que no ano anterior e ficou marcada pela energia vivida no recinto.Dos fãs que chegaram cedo para conquistar um lugar junto aos palcos aos grupos de amigos que transformaram o recinto numa pista de dança, foram as vozes, os braços no ar e os refrões cantados por milhares de pessoas que deram forma à experiência do festival.
“Estamos praticamente alinhados com os números do ano passado, mas com uma lotação mais consistente e equilibrada ao longo dos quatro dias. Estamos muito satisfeitos com o resultado e, sobretudo, com as experiências que proporcionámos ao público. O Sol da Caparica termina esta edição mais consolidado e com a sua afirmação reforçada”, salienta a organização.
Quatro dias feitos de canções, surpresas e emoção
A primeira noite deu o mote para tudo o que se seguiria. Depois da abertura de Landrick, Papillon protagonizou um dos primeiros momentos inesperados do festival ao receber Bispo para interpretar Não Dá Pa Parar e Bárbara Tinoco para cantar ¡ N.M.N !. As duas entradas surpresa foram recebidas com entusiasmo por um público maioritariamente jovem, que reconheceu as canções desde os primeiros acordes.
Sara Correia mudou o tom sem quebrar a ligação com o recinto. Entre temas como Chelas, Quero É Viver e Estranha Forma de Vida, a fadista levou a emoção do fado a um festival dominado, naquele primeiro dia, pela música urbana e pelos ritmos de dança. A resposta do público mostrou que, no Sol da Caparica, as fronteiras entre géneros desaparecem quando as canções começam.
Na estreia de Maiara & Maraisa no festival, foram êxitos como Esqueça-me Se For Capaz, Bebaça e Presepada que fizeram milhares de vozes acompanharem a dupla brasileira. A primeira noite terminou com Orochi, num espetáculo marcado pela força do trap, pela animação visual e pela pirotecnia, perante uma nova geração de fãs que cantou e vibrou do início ao fim.
No segundo dia, o palco recebeu diferentes géneros de música em português. Rich & Mendes abriram a programação do Palco Via Verde, seguindo-se João Pedro Pais, que atravessou mais de duas décadas de canções, recuperando temas como Louco, Ninguém É de Ninguém, Nada de Nada e Mentira. Canções que fazem parte da memória de várias gerações encontraram no recinto um coro capaz de lhes devolver toda a força.
Seguiram-se os Calema, com temas como A Nossa Vez, Te Amo, Onde Anda, Chuva de Amor e A Nossa Dança a aproximarem o palco e o público. Mizzy Miles apresentou no festival o seu novo show, uma produção pensada para o grande palco, passando por FDN, Bênção e Europa, antes de Veigh prolongar a noite com um dos concertos mais aguardados pelo público mais jovem.
Com lotação esgotada, o terceiro dia voltou a mostrar a capacidade do festival para cruzar públicos. Os Vizinhos levaram ao palco canções que rapidamente passaram das redes sociais para a voz de milhares de pessoas. Pobre Ex-Namorado, Casar É Para Esquecer, Vizinha e Pôr do Sol transformaram o início da noite num momento coletivo, leve e cantado do princípio ao fim.
Mundo Segundo & Sam The Kid trouxeram a história e a palavra do hip-hop português ao recinto. Temas como Tu Não Sabes, Bate Palmas, Poetas do Karaoke e Linguagem Marginal encontraram um público atento às palavras e pronto para acompanhar cada verso. Nininho Vaz Maia acrescentou emoção e uma identidade musical muito própria, antes de MC Kevinho levar o funk brasileiro ao palco e de Deejay Telio encerrar uma noite de casa cheia.
O último dia voltou a reunir universos e gerações que dificilmente se encontrariam noutro cartaz. Quim Barreiros abriu a programação com uma celebração popular e intergeracional. Seguiram-se os ÁTOA e, depois, MC Paiva, que levou ao palco temas como Fui MLK, Noite Paulista, Doce Veneno e Tchau, Obrigado.
Um dos momentos mais especiais da edição pertenceu a Slow J, que recebeu Prodígio para interpretarem juntos, pela primeira vez num concerto, 4 de Fevereiro. A participação acrescentou um capítulo inédito a um alinhamento que passou ainda por Where U @, TATA, Casa, Bem Zen, num concerto vivido entre a atenção às palavras, a emoção e a força de um público que conhecia cada tema.
O encerramento do Palco Via Verde ficou entregue a Lon3r Johny, que transformou o último concerto da edição numa sucessão de encontros em palco. Ao longo de um alinhamento que passou por temas como Luv, Runner, 94, Tempo e GT3, o artista recebeu Slow J, ProfJam e Plutónio, com quem interpretou UH LA LA LA e 25 DE ABRIL. As três participações deram ao último concerto do festival um caráter único e fecharam os quatro dias em ambiente de celebração.