Beatriz Nunes edita o álbum ‘Livro de Horas’

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‘Os Livros de Horas medievais são objectos que sempre me fascinaram. Pela sua beleza em primeiro lugar, depois por serem um almanaque de rituais que misturam rezas e festividades, que é como dizer que são livros que organizam formas de sinalizar a passagem do tempo. Essa ideia interessou-me. O disco está longe de ter uma conotação religiosa, mas acaba por ser uma apropriação desse objeto religioso para falar de outros assuntos que me interessam, quase como uma sugestão de orações pessoais. E escolhi algumas poetas, algumas muito antigas, outras menos, para através das suas narrativas abordar os assuntos: amor, justiça e poder.”  Beatriz Nunes acrescenta mesmo que “o disco acaba por fazer um arco, pois tanto reúne uma canção em languedoc da trovadora do séc. XXII, Beatriz de Día, como uma canção da jovem cantautora portuguesa Femme Falafel. Penso que estas duas figuras fazem os dois pontos de um arco temporal que eu escolhi para retratar narrativas de mulheres cantautoras.

neste disco fui deliberadamente agregadora, pois continuei a tocar com o grupo de amigos e companheiros Luís Barrigas, Mário Franco e Jorge Moniz, e já vinha a cozinhar, desde que conheço a saxofonista Mateja Dolsak, a vontade de trabalhar com ela. Eu e a Mateja partilhamos muitas viagens juntas, fomos professoras em Montemor-o-Novo, fizemos juntas o mestrado, já tocamos juntas também, e eu sabia que quando a oportunidade surgisse eu tinha vontade de a ter no meu projecto. A característica que mais pesou evidentemente foi a sua musicalidade e enorme afinidade que partilhamos. Foi também um desafio para mim, pois assim alarguei o grupo a quinteto que era algo que eu também queria explorar musicalmente, e foi interessante escrever para esta formação. Em relação à Femme Falafel, sou muito fã dela. Conheci-a através da Leonor Arnaut, por causa de Fumo Ninja, comecei a segui-la nas redes, e houve uma story em particular com um pequeno fragmento de uma canção que me ficou na cabeça dias e dias. Por sua vez, a Edvânia Moreno é uma jovem violinista que conheci num concerto da Orquestra Geração na Gulbenkian. Na altura eu estava a dar aulas na Orquestra Geração e a Edvânia era uma antiga aluna.”

Beatriz Nunes

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