‘Caixa de Luz’ de João Gil com muita luz, recordações, histórias e nostalgia

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Finalmente, depois de três adiamentos, devido à situação sanitária que o país atravessou, João Gil e a sua ‘Caixa de Luz’ viu a luz, na emblemática sala de espectáculos de Lisboa, o Capitólio, e que luz. O título ‘Caixa de Luz’ foi inspirado no trabalho da sua esposa, Ana Mesquita, projectando no video wall extraordinárias imagens que acompanharam a actuação do artista.

Num concerto acústico, intimista, em diálogo constante com o público, fazendo a introdução e contando histórias sobre a canção seguinte, o ex-Trovante, iluminou o Capitólio durante duas horas. Duas horas que passaram à velocidade da luz, de tão cativante foi, não só a nível musical mas também no desvendar de situações e histórias que deram origem a algumas das suas composições.

João Gil recordou o seu trajecto musical desde os Trovante, passando pela Ala dos Namorados, até ao projecto Rio Grande, com Rui Veloso, Tim, João Gil, Jorge Palma, Vitorino e João Monge. Falou do seu inicio da carreira nos Trovante, em que o facto de pedir um toldo para o palco já era uma exigência fora do normal, assim como pedirem para pernoitarem num hotel; ‘Os Trovante ajudaram a mudar as mentalidades e as coisas evoluiram muito desde então’, lembrou João Gil.

Falou do seu grande amigo Luis Represas que nos Trovante deu voz, a grandes sucessos que ainda hoje ecoam na nossa memória e continuam a ser presença nas rádios. Trouxe a lembrança a sua parceria com João Monge, letrista e compositor que o acompanha desde o inicio da carreira, que escreveu e compôs algumas das mais belas canções que nos habituamos a ouvir, fundando com ele a Ala dos Namorados.

Emocionado pelo regresso aos palcos, que espera definitivo, recordou ainda uma figura incontornável do fado e da música ligeira, Carlos do Carmo, que recentemente nos deixou, tocando e cantando em medley ‘Travessa Do Poço Dos Negros’ e ‘Lisboa Menina e Moça’.

Este foi o primeiro de cinco concertos em cinco dias, cada um com um convidado diferente, foi António Zambujo que hoje ajudou a dar mais luz à caixa, tocando e cantando em dueto os temas ‘Rosa’, ‘Ao Sul’ e ‘Zorro’ e a solo ‘Lote B’, contando também ele algumas histórias e interagindo com o público.

João Gil esteve também acompanhado à guitarra, pelo seu filho, Rafael Gil, nos temas ‘O Exacto Oposto’, ‘Senta-ta Aí’, ‘Caçador Da Adiça’, ‘Postal Dos Correios’ e ‘125 Azul’.

Gil falou do mundo paralelo em ‘Quântica’ e do ‘Equivoco’ que houve na interpretação da sua canção, mas quem não se equivocou foi o público e os fãs que lotaram por completo os lugares disponiveis no Capitólio, que em alguns temas fizeram coro com o artista, e que no final apaludiram de pé o excelente espectáculo que acabaram de assistir.

E porque todos somos importantes fechou cantando ‘Saudade’ pois ‘há sempre alguém que nos diz tem cuidado, há sempre alguém que no faz pensar um pouco’.

No alinhamento: A Seita Tem Um Radar – Memórias De Um Beijo – Tudo Contigo – Razão De Ser – Deixa-te Ficar Na Minha Casa – Timor – Perdidamente – Rosa – Ao Sul – Zorro – Lote B – Travessa Do Poço Dos Negros/Lisboa Menina E Moça – O Exacto Oposto – Senta-ta Aí – Caçador Da Adiça – Postal Dos Correios – 125 Azul Encore: Quântica – Loucos De Lisboa – Saudade

Hoje a ‘Caixa de Luz’ irá continuar acesa, a partir das 20:30, com a convidada Elida Almeida, cantora cabo-verdiana de sucesso.

Fotos Joaquim Galante

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