Luca Argel finalmente ao vivo com o seu ‘Samba de Guerrilha’

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Luca Argel animou o final do dia príncipio de noite, de hoje, no teatro da Trindade, num concerto com muito ritmo, muitas histórias e muito samba.

Concerto que já havia sido adiado sucessivamente devido ao momento que atravessamos, mas foi exactamente um ano depois, e inesperadamente, que o sambista conseguiu pisar o palco do emblemático teatro lisboeta, deixando no final elogios à promotora do evento, Teatro da Trindade-Ciclo Mundos, à assessoria de imprensa, Sara do Espirito Santo e Ricardo Rodrigues, e à agência Fado in a Box.

Há um ano atrás, o concerto seria o de divulgação do novo trabalho, ‘Samba de Guerrilha’, que iria ser editado proximamente, mesclado com músicas anteriormente editadas, hoje foi o de apresentação ao vivo das musicas que já tocam nas rádios e nas plataformas digitais.

Luca Argel e a nova banda, foi o primeiro concerto que tocaram juntos, apresentaram-se bem afinados e em grande forma, animando uma plateia ansiosa por ritmo, diversão e de libertação de energias. Muito comunicativo, o músico, contou histórias, falou de nomes importantes da MPB e do samba, que marcam a história e a cultura do Brasil. Desolado por não haver no seu país uma data que fosse um marco do fim da ditadura, como existe em Portugal (25 de Abril), que homenageasse os que lutaram por ela, lembrou a data de 13 de Maio de 1888, que marcou o fim da escravatura no Brasil mas que acabou por servir, na prática, para ostracizar os negros pois sem condições e esperança numa vida melhor, acabaram muitos por regressar as terras dos seus anteriores ‘donos’.

Luca Argel falou também da extinta Praça Onze, que abrigou na época os imigrantes, principalmente negros, recém chegados ao Brasil e depois, com a abolição da escravatura, muitos dos ex-escravos ‘livres’ que ali se estabeleceram. E foi numa acção de protesto contra a demolição dos prédios da Praça Onze que o actor Grande Otelo escreveu em forma de samba (1941) uma musica em que foi introduzido o tamborim, o apito e o surdo e que fez parte do alinhamento do concerto de hoje.

No palco, Luca Argel alternou ritmos fortes do samba, com temas mais calmos e melancólicos, mas sempre mantendo uma forte ligação com a plateia, por isso no final, não foi de estranhar que os músicos tivessem que regressar ao palco para um encore, tamanha foi a ovação. Na última canção do concerto os fãs não se contiveram e de pé, guardando as devidas distâncias sociais, cantaram, saltaram e aplaudiram Luca Argel e a sua banda.

Um concerto para recordar que contou no alinhamento com: Samba do Operário – Pesadelo – Gentrificasamba – Praça Onze – O Dia em Que o Morro Descer e Não For Carnaval – Vá Cuidar da Sua Vida – Acanalhado – Anos Doze – Conversa de Fila – Ninguém Faz Festa – Agoniza Mas Não Morre – Cangoma – Canto dos Cafezais – Direito de Sambar – Almirante Negro – Vila Cosmos Encore: Uma História Diferente – História Pra Ninar Gente Grande

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