Projecto Global com estreia mundial em Roterdão

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Projecto Global, o novo filme de Ivo M. Ferreira, terá a sua estreia mundial a 1 de fevereiro no Festival Internacional de Cinema de Roterdão, onde integra a competição Big Screen, dedicada a obras de autor com forte potencial de comunicação com o público. Único título português em competição nesta edição do festival, a obra — inspirada em factos reais — assinala o regresso do realizador ao circuito internacional de festivais.

Produzido pela O Som e a Fúria, com distribuição pela NOS AudiovisuaisProjecto Globalchega às salas de cinema portuguesas no dia 23 de abril, afirmando-se como uma das maiores produções nacionais de sempre, com um budget superior a 5 Milhões de Euros.

A narrativa decorre em Lisboa, no início da década de 1980, num dos períodos mais sensíveis da jovem democracia portuguesa, marcado pela atividade armada das Forças Populares 25 de Abril (FP-25). Trata-se do primeiro registo cinematográfico de ficção dedicado a este movimento, abrindo espaço no cinema para a representação de um período da história recente do país. Um thriller político marcado pela tensão e pela urgência do seu contexto histórico.

Com Jani Zhao, Rodrigo Tomás, José Pimentão, Isac GraçaIvo Canelas e Gonçalo Waddington nos principais papéis, a história acompanha três membros do grupo — Rosa, Queiroz e Jaime — e Marlow, figura do campo oposto, ligada ao passado íntimo de Rosa. Através destas personagens, constrói-se um retrato denso de um tempo atravessado por convicções extremadas, dilemas morais e relações pessoais moldadas por um clima permanente de clandestinidade, vigilância e confronto.

Mais do que uma reconstituição histórica, Projecto Global propõe uma reflexão crítica sobre o destino dos ideais revolucionários no período pós-25 de Abril, interrogando o momento em que a ação política se fragmenta e a violência passa a ser entendida como instrumento de resistência. Ao fazê-lo, inscreve a experiência portuguesa num fenómeno mais amplo que marcou vários países europeus nas décadas de 1970 e 1980, estabelecendo pontes com contextos políticos semelhantes noutras geografias.

Inspirado na tradição dos grandes thrillers políticos europeus e norte-americanos desse período, o filme cruza tensão narrativa, ação e densidade política, como uma obra cinematograficamente intensa e historicamente relevante. Uma proposta singular no panorama do cinema nacional contemporâneo.

Quase uma década depois de Cartas da Guerra (2016), apresentado em competição no Festival de Berlim, Ivo M. Ferreira revisita um dos períodos mais sensíveis da história recente portuguesa em Projecto Global – uma obra que apela à reflexão pública e à preservação da memória coletiva, para ver nos cinemas a partir de 23 de abril.

Duração: 141’

Sinopse:

Lisboa, anos 1980: a revolução e a euforia da liberdade pertencem ao passado. O país atravessa tempos conturbados: fábricas fecham, trabalhadores erguem barricadas e a política domina cada esquina. Entre cigarros, música, prostitutas e marinheiros, partilham-se sonhos desfeitos e esperanças incertas. À medida que as tensões sociais se agravam, surgem as FP25, um grupo armado de extrema-esquerda. Os seus membros seguem um caminho sem retorno, vivendo existências clandestinas feitas de assaltos a bancos, ataques, amizade e amor, sob a constante ameaça da prisão ou morte. Ao abandonarem tudo e todos, exceto uns aos outros, começam a perder as próprias identidades, enquanto o inspetor que os persegue enfrenta ele próprio um dilema moral.

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