É ao lado do histórico General Mucuemba que Real Guns inaugura o segundo volume de Son of Gun, entre palavras dedicadas ao lado invisível da vida em bairros como aquele que os levou a cruzarem-se. Daí em diante, o rapper luso-são-tomense sediado na Amadora discorre sobre essa vida de um “filho armado” que tudo tem feito para vingar através da sua arte substancialmente auto-biográfica.
Depois de uma impetuosa entrada no lado A de SOG, maioritariamente alavancada pelo próprio Ovilton Santiago, neste lado B ganham espaço novas e múltiplas colaborações, quer de viva voz, quer de samples reveladores da direção delineada para esta viagem a duas voltas. Além do já mencionado General Mucuemba, entram em cena nomes tão sonantes quanto inusitados como L-ALI, JÜRA ou Benny Broker. Figuras como Landim e Ne Jah, por sua vez, acrescem ainda mais simbolismo às rimas escritas e cantadas em crioulo ao longo de duas dezenas de canções agora reunidas.
Já no lado da produção, soma e segue equipa que ganha sem mexidas, ainda que o estilo de jogo nesta segunda parte também aponte em grande medida para a novidade. A verdade é que, apesar do reportório de Real Guns se destacar acima de tudo por uma identidade absolutamente vincada, a sua discografia reflecte uma constante evolução por diferentes registos sonoros. E em SOG II é isso mesmo que sobressai: Real Guns na teoria fora de pé, mas na prática como peixe dentro de água, a levar-nos mais uma vez às profundezas da sua realidade.