A cor do Capacete Preto, o novo disco de SleepyThePrince

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Com o roxo enquanto reflexo da cura, o novo disco do rapper, SleepyThePrince, espelha as suas duas mais autênticas  facetas — opostas no papel, simbióticas na realidade — ao longo de 18 faixas.
Há um código de cores na discografia de SleepyThePrince que não passa despercebido. THE NINJA SPIRIT revelou-se sob o pano vermelho do capacete que se tornou imagem de marca, BLACKOUT mergulhou-nos no negro absoluto da escuridão concebida a meias com DJ Dadda, e agora CAPACETE PRETO traz paradoxalmente ao de cima um novo tom no meio desse negrume.

Não por acaso, porém: é dessa fusão entre o vermelho debaixo do seu capacete e, ainda, o azul prevalecente em breves capítulos da sua discografia que surge este novo tom. Roxo como terapia, roxo como cura. A salvação no cruzamento de caminhos opostos, a luz que resulta da escuridão.

Nesse caminho de CAPACETE PRETO, “HYPERFOCUZ” havia inaugurado uma viagem em modo flow state futurista que viria a definir a espinha dorsal do disco. “PREÇO CERTO”, ao lado de Kroa e YeezYuri, trouxe ao de cima por sua vez a faceta mais crua do rapper, até “DILEMA” vir desbloquear definitivamente a equação de múltiplas incógnitas num longa-duração por decifrar: hip-hop do mais cru e simultaneamente adornado que se pode sequer imaginar, simbólico de um novo patamar no historial criativo do artista.

Deslindado agora esse resultado final revelador, “MENU” entra à cabeça em primeiro plano como mais uma colaboração carimbada por selo Vialonga. A indiscrição lírica e destreza melódica de SleepyThePrince ganham, aqui, ainda mais personalidade à boleia do cunho inconfundível de Nenny neste tema incontornável de um disco tão preenchido, desta feita através de uma canção paradigmática do contraste de tons que se faz sentir entre as ambiências mais espaciais e os registos mais incisivos em confronto neste CAPACETE PRETO de tonalidades púrpura.

Reflexo dessa convergência entre opostos é a consonância entre o sangue com que SleepyThePrince versa e o azul das ondas sonoras pelas quais flutua em canções como, por excelência, “XILIQUE”. Um balanço constante que faz de CAPACETE PRETO um trabalho absolutamente redondo nas suas mais díspares arestas, produto desvendado pelo ninja que emerge da sombra para dar luz a ambos os lados que até então tem escolhido atravessar. E essa clarividência nem o capacete mais blindado pode ocultar.
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