Lena D’Água, no Maria Matos, para apresentar o seu álbum de inéditos ‘Desalmadamente’

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Simplesmente sublime o concerto há muito esperado em Lisboa.

O Teatro Maria Matos, viu esta noite Lena D’Água retomar os concertos de apresentação do seu mais recente trabalho ‘Desalmadamente’, interrompidos devido ao covid.

Com os lugares disponíveis esgotados, Lena mostrou, durante o concerto, o porquê de ser uma artista carismática, no panorama musical português, e do riquíssimo legado que deixará para gerações vindouras. A legião de fãs que a seguem e a adoram, conferem à cantora uma aura muito própria.

Durante o show, para além dos novos temas, recordou músicas que fizeram dela umas das responsáveis pelo boom do pop/rock cantado em português, ombreando, na época, com os TAXI e os UHF, na liderança dos tops nacionais. Músicas que trazem muita nostalgia e que marcaram uma época de viragem para novas sonoridades, como Vígaro, Robot, Dou-te Um Doce, Perto De Ti, Demagogia e Sempre Que O Amor Me Quiser.

Nervosa e ansiosa pelo momento, conforme disse em palco, mas animada e empolgada, como já tinha deixado perceber nas redes sociais, sentindo-se uma adolescente, Lena não defraudou o público presente e durante 90’ a noite se fez dia. Por mim, um flash passou, iluminou o baú das recordações e me fez reviver um tempo que, estando longe, passou tão depressa. Hoje, a sintonia com o público, durante o concerto, foi algo divino.

Sempre em grande ritmo e dialogando animadamente com o público, entre canções, ainda teve fôlego para, no encore, cantar ‘A Culpa É Da Vontade’ sem apoio de banda, num ‘monólogo’ com o público que a aplaudiu de pé.

Ouvir Lena D’Agua é recordar a primeira mulher a liderar uma banda de pop/rock com sucesso em Portugal (Beatnicks e Salada de Frutas). A sua beleza, caracter, irreverência e uma voz única, dominaram os tops musicais do início dos anos 80. ‘Dou-te Um Doce’, foi o primeiro videoclipe português a passar na experimental Europa TV (1985), no programa musical ‘Countdown’, apresentado por Adam Curry, outros tempos.

Ouvi-la é recordá-la vestida como Cleópatra, (no programa de Carlos Cruz, 1,2,3) em todo o seu esplendor de beleza, sensualidade, de coração e voz doce, interpretando ‘Sempre Que O Amor Me Quiser’. É recordar em todas as suas formas, aquela miúda livre, arrojada e sem limites, que partia corações entre os adolescentes de então.

Durante a sua caminhada nas artes experimentou várias valências, desde o teatro e música para crianças, passando pelo cinema, TV, fixando-se definitivamente na música para todas as idades. ‘Desalmadamente’ é o regresso triunfal há muito esperado de uma cantora de méritos infinitos.

Lena D’Água regressa assim, desalmadamente, à cena musical nacional, com vontade de fazer aquilo que melhor sabe, e que a guiou durante os seus verdes anos musicais, viver e cantar com intensidade. Hoje, ouvir Lena D’Água, é ter a certeza que na vida não há um fim, mas sim recomeço, para fazermos aquilo que mais gostamos e, no seu caso, poder de novo abraçar os fãs que há muito suspiravam por ela e de quem nunca se deveria ter ausentado.

Temos, pois, a ‘Bela Adormecida’ de volta 30 anos depois, de ‘Tu Aqui’, dedicado a Variações, para ficar, para minha felicidade, para felicidade dos fãs e, em geral, para felicidade da música portuguesa.

Alinhamento (a bold as músicas do novo álbum): ‘Minutos’ – ‘Enquanto Assim For’ –‘Hipocampo’ – ‘Grande Festa’ – ‘Vígaro’ – ‘Ópá’ – ‘Formatada‘ – ‘Robot’ – ‘Dou-te Um Doce’ – ‘Bem Que Vos Avisei’ – ‘Voltas Trocadas’ – ‘Perto De Ti’ – ‘Demagogia’ – ‘Queda Para Voar’ – ‘Desalmadamente’ Encore: ‘A Culpa É Da Vontade’ – ‘Sempre Que O Amor Me Quiser’ – ‘Hipocampo

Fotos do concerto pode vê-las AQUI

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